(site melhor visto em resolução 1280 x 800 ou superior com Firefox)
Comemoramos, em 3 de fevereiro,
Eu calculei que isto ocorreria às 1612,45154966 passagens pelo equinócio do não-posso-dizer, a partir da data de nascimento do próprio blog. Quase acertei, tal qual um profeta (pode rir de mim).
O primeiro artigo foi escrito aqui em 9 de fevereiro de 2007. São cinco anos de existência.
O Blog Filosofix já é um menino em tempo de Complexo de Édipo!
1612,54154966 é a Raiz Quadrada de 2.600.000. Andei fazendo as contas dos dias de vida do Blog; da quantidade de palavras escritas entre artigos, cronicas, notícias, etc. Percebi incríveis coincidências.
Você dirá:
- Ah! Tu estás louco! Pra quê isso?
Mas você já pensou nas razões pelas quais matemáticos loucos ficam calculando a “distância” do PI?
3,1415926535897932384623433832…
Por que eles, os matemáticos, fazem isto? Loucos, não é?
E aqueles outros, os astrônomos? Fazendo continhas de chegada para achar o fundo do Universo, quanto tempo tem que a Primeira Luz disparou numa correria sem fim até chegar aos nossos olhos e não nos dizer nada? Você olha para uma “estrela” no céu noturno e dá de banda, diz “Ah!”, e segue a vida, não é mesmo? Pergunta-se: para que serve aquela coisa lá?
E os arqueólogos, então? Pior ainda, os paleontólogos? Os primeiros, de “archaiós” (antigo); os segundos, de “palaiós” (muito antigo). Tais malucos, insanos, inventaram o “método do carbono 14″ para datar datas, pernas de dinossauros, pedras de pirâmides, escudos de espartanos, sepulturas de Apóstolos.
Loucos varridos!?
Há mais exemplos: quer que eu os dê?
Por isto que eu fico feito louco quando dá um pau em meu Filosofix. Quando algum programa devassa meu localhost ou meu Ubuntu Lucid Lynx vai para o “espaço”. Porque se fico sem isto, deixo de ficar louco! Eu diria a quem o que devo dizer de meus números enraizados ou elevados à sexta potência, de minhas datas? A quem?
Ora essa!
Não! Não vou perder tempo com isto. É perda de tempo.
1612,54154966 é a Raiz Quadrada de 2.600.000.
O que isto significa? Pensando bem, não tem utilidade alguma.
Aliás, significa, acima de tudo-nada, apenas duas coisas: primeira, que estamos nós, os tais loucos por contagens, nós, estamos loucos para contar algo a alguém; segunda, que estamos esperando, loucamente, que alguém queira que lhe contemos algo.
A vida é isso aí: o conto, ou melhor, o canto. É um ritual. Que nem um pássaro todo empolado dançando sua dança para atrair o seu par.
Tudo não passa de uma busca louca, desesperada. É tudo isso apenas a loucura manifesta dessa busca por mais vida. A bem da verdade, nem é exatamente a busca de mais vida, mas pura e simplesmente a busca do
Amor!
E não importa se vamos ou não encontrá-Lo, o Amor. Estamos buscando, desesperadamente, loucamente.
Este é que é o charme disso tudo, o bom disso tudo, o certeiro disso tudo, a única verdade.
Penso que é muito melhor isto, que ser anônimo; é melhor que ser um ser que passa pela vida escondido, vivendo com nome próprio para uns e com apelido para outros porque não se pode revelar nem pode-se se passar por louco para quem, se o visse assim louco, ficaria louco! E a loucura é perigosa!
Ah! Vamos rir de tudo isso!
Eu agradeço a tantos loucos, como eu, que estiveram e estão aqui. A todos vocês que são desses de contar palavras, de arqueologizar ou astronomizar, que são desses de não se esconderem de si mesmos; eu deveria dar um grande abraço e fazer uma reverência, agradecer, pedir para ficar, ir, voltar, mandar sorrisos. Mas, preferi inventar, como louco, um novo modo de saudar, único, assim:




Eu não me esqueço de datas! Nunca! Quero dizer, de datas como esta, loucas assim!

postado por Ramiro (04/02/2012)
Feb
3
Após ter sido necessário refazer todo meu ambiente Ubuntu Lucid Lynx (perdido porque uma atualização daquelas “automáticas”, mal intencionada, mudou parte de meu LUCID LYNX para uma parte do tal NARTY NARWHAL e alterou indevidamente o FIREFOX para uma versão inesperada “9″), saí para refazer, entre outras coisas, meu LOCALHOST.
Há um artigo espetacular que ensina a fazer isto e gostaria de compartilhar com meus visitantes.
Acesse a página do LINUXNANET, no artigo de “digão”, Instalando Apache, MySQL, PHP, phpmyadmin e WordPress no Ubuntu (aqui).
O artigo é fantástico e em poucos minutos tudo estará pronto. SÓ HÁ UM REPARO A FAZER, preste bem atenção:
- Após instalar o phpmyadim, você terá à sua frente a tela de LOGIN e SENHA do banco de dados. Não se esqueça que o nome do usuário para LOGIN = root, depois seguido da SENHA, conforme indica o artigo do pessoal do LINUXNANET.
vale conferir. Quero deixar meus parabéns para o autor.
postado por Ramiro (03/02/2012)
Feb
3
Para quem estava acostumado com o velho e bom painel de controle do Ubuntu, esta pode ser sua MAIOR decepção.
Eu estava tranquilo com meu UBUNTU LUCID LYNX. Mas, por algum motivo que me surpreendeu, de repente, meu FIREFOX foi alterado para a versão 9 e começaram meus problemas. Plugins não funcionando, perda de temas do Firefox, impossibilidade de ouvir MEDIA PLAYER e quejandos. Perdi boa parte do dia tentando sanar inúmeros outros problemas, como, por exemplo, um “bug” na programação CSS de meu blog, especificamente no comando “display: block”, sendo necessária mudança para “display: table”, porque a versão 9 do Firefox não aceita o “display: block” no CSS.
O FIREFOX 9 para Ubuntu, foi instalado “sem querer” (eu não vi), juntamente com aquelas atualizações rotineiras do GERENCIADOR DE ATUALIZAÇÕES. Por desatenção minha (até mesmo inocência), acreditei que tal atualização jamais alteraria parte da minha versão Luicd Lynx forçando a Narwhal (não sei como). E isto desconfigurou toda a minha navegação pela WEB. Destruiu meu esquema de ouvir rádio pela WEB, e, literalmente, acabou com todo o meu prazer na operação do navegador.
Para tentar corrigir, e por não conseguir restaurar a situação anterior à atualização, resolvi fazer o UPGRADE para o Ubuntu Narty Narwhal, na esperança de que as coisas melhorassem.
LEDO ENGANO!
Quando a tela do Narty Narwhal surgiu, vi a verdadeira desilusão à minha frente. Na tela principal fiquei assustado ao primeiro contato:
1) Perdi minha barra superior, onde colocava os aplicativos que bem entendia;
2) Perdi minha barra inferior, onde controlava meu TERMINAL DE SISTEMA, LIXEIRA e algo mais;
3) Não sabia mais como acessar coisa alguma e teria de re-aprender tudo, sentindo-me um verdadeiro palhaço olhando toda aquela mudança com jeito “de outro sistema operacional empetecado”: o Narty Narwhal tornou-se algo cheio de balangandãs!
4) E para complicar ainda mais, tudo foi mudado no FIREFOX: o editor de texto fica desconfigurado, já vem incompatível com o Português e mostra erros de digitação como se TODAS AS PALAVRAS que eu escrevo estivessem erradas; pior é a tentativa de ouvir ouvir rádio – nem por REAL PLAYER, nem por MEDIA PLAYER.
5) O painel do NARWHAL tem ícones gigantescos do lado esquerdo e dá desespero tentar colocar tudo em ordem.
SE VOCÊ NÃO GOSTA DE MUDANÇAS RADICAIS e ESTÁ HABITUADO AO VELHO ESQUEMA DO UBUNTU, não passe raiva, não se deixe enganar, porque é desastroso. NÃO recomendo UPGRADE para NARWHAL a quem espera que a interface gráfica continue a mesma de antes.
MAS SE VOCÊ gosta de aventuras, siga em frente.
Tomei uma medida RADICAL: saquei meu CD do Ubuntu Lucid Lynx. Fiz backup do EVOLUTION (o servidor de emails) e de minhas conversas pelo MERCURY e pelo aMSN; perdi a barra de favoritos; mas não tive dúvidas:
- às 4 da manhã estava formantando o “/” e o “/boot” de minha máquina. Mandei para o espaço a Narwhal. Zerei tudo.
Agora, é recuperar o que for possível. Localhost. PHPmyAdmin. Apache 2. Amarok 1,4. gFTP. Skype. E mais o diabo. Mas o Firefox voltou a ser o velho de antes, na versão 3.6.10 – ATENÇÃO NAVEGANTE: se você não quer passar raiva, e gosta tanto deste seu navegador 3.6.10, NUNCA permita a atualização para a versão 9.
Agora, preciso descobrir uma forma de evitar que tentem transformar (nos avisos diários do GERENCIADOR DE ATUALIZAÇÕES) meu Lucid Lynx em Narty Narwhal.
Estou irritado, terrivelmente irritado, com esta palhaçada desastrosa em que me meti, de quase ter perdido meu bom e velho Lucid Lynx.
postado por Ramiro (03/02/2012)
Feb
3
Feb
1
Apresentamos, pela primeira vez no Filosofix, uma conferência de Bernard Maruani, realizada em Paris neste mês de janeiro de 2012 e publicada em vídeo no site da Akadem (AQUI).
Bernard Maruani é professor e médico. Traduziu o primeiro tomo da Midrach, sobre o livro do Génesis. Dirige círculos de estudos bíblicos e talmúdicos em Paris.
Dentre as principais obras de Maruani, encontra-se:
- Bernard Maruani et Albert Cohen Arazi (trad.), Midrach Rabba. Genèse 1 (Verdier, 1990)
Nesta conferência, Maruani trata do livro do Exode (ch.13, v.17 à ch.17, v.16), sobre a partida dos israelitas, da passagem do Mar Vermelho e propriamente do milagre no mar, do canto da vitória e, sobretudo, do combate com Amalek.
O título da conferência é:
Conquête de la liberté
Bechala’h: quand Dieu passe le pouvoir (36 mn)
Bernard Maruani, Enseignant
Sefarim – Paris, janvier 2012

Clique abaixo para ouvir:
postado por Ramiro (01/02/2012)
Jan
31

E o Sponholz, descobri agora, é Atlético Mineiro que nem eu! Olha o “manto sagrado” preto e branco; olha o escudo no peito do outro torcedor!
postado por Ramiro (31/01/2012)
Jan
30
Ele caminhava pela estrada de terra, que levava a um sítio abandonado.
Outro dia, eu pensei sobre isto de ver como são as coisas abandonadas, porque a palavra abandono vem de poder juntado com a, o que é a mesma coisa que sem poder. Mas como tudo no mundo é invertido, um sítio abandonado acaba sendo um sítio bandonado porque se tivesse dono seria dele.
É que o poder se define como aquilo que um homem possui para alcançar qualquer bem visível futuro, segundo Thomas Hobbes. Então, qualquer um que pensar nisso percebe que para se ter poder é necessário ter algo abandonado para se conquistar algo visível futuro que, necessariamente, ficará abandonado de um e bandonado de outro.
Acontece que o outro que dá de banda, isto é, que larga largado algo que lhe era antes bandonado, larga-se a si mesmo caso contrário ficaria preso à coisa que não lhe era abandonada, já que todo bandono é oposto a qualquer abandono. Sendo assim, este outro visa ser pelo não-ser se não-for presa do que não-era.
É possível que William Shakespeare, ao se debruçar sobre este problema do to be or not to be, tenha querido dizer “do to be or not to be” e não apenas “to be or not to be”; de qualquer forma, não é possível ser sem fazer ser, e sendo assim (acho que faltam vírgulas aqui) deve mesmo ser melhor do to be que só to be. Até porque abandono é uma forma de bandono sem se fazer ser.
Mas, como eu dizia, todo sítio abandonado dá a impressão de que houvesse sido sitiado, num lugar onde as pessoas deviam ir pelo menos para chupar laranja, mexerica ou maçã. E embora isto não tenha nada a ver com Shakespeare e Hobbes, bem que faz lembrar Isaac Newton.
Por isto que ele caminha, digo, caminhava, aliás, digo caminha pela estrada de terra, que levava a um sítio abandonado.
Na mochila tinha um pedaço de torta de milho. As tortas de milho devem ser feitas quando o milho é verde, ainda que não se conheça milho que não seja amarelo. Verde é maneira de dizer, só significa que não é maduro. Havia, também, um pouco de pinga numa garrafa térmica, senão os dois evaporavam. Mas foi preciso jogar fora a bebida, porque a sede chegou e precisava armazenar água para continuar a viagem. Quem fez a torta foi ele mesmo. Em fogão à lenha, que não pode ser verde como milho, pois não queima. Esses fogões fazem os melhores cafés, desde que sejam coados antes das seis horas da manhã, já que o aroma se espalha pela mata e até as onças pintadas dão aquela respirada funda e lambem os beiços, que nem as pessoas de longe quando percebem e pensam no cheirinho bom com inveja e estômago ocado de fome.
Topou com um carro de boi no meio de onde ia e disse:
- Oi!
- ‘Bão dia, vois mecê!, arresponderam de de lá.
Sem falar no ruído das rodas daquilo que rangia sem parar, que também falaram algo:
- Inhó, inhó…

Então, acho que é isso mesmo. Ou coisa semelhante. Que diferença faz? O que importa nisso tudo é o sentido do abandonado. Melhor dito, do bandonado. Mais ainda: dele.
Ele caminhava abandonado pelo que levava, no rumo de um sítio de terra de estrada.
E completou para si mesmo, pensando no bandono:
- Ô trein bão, essa bosta!
postado por Ramiro Corrêa (30/01/2012)
Sua senhora gostava do “Dos Almas” e você do “Quizas”.
Eu sempre fiz o “Dos Almas” para ela, mas preferia mesmo o “Quizas” por pura premonição.
Vim lá de dentro, agora. Mais uma vez, seu presente foi o mesmo: “Quizas”. Espero que tenha gostado. Sei que ela reclamou a falta do “Dos Almas”, mas hoje é só pra você.
Você a tirou pra dançar?
Estou, neste instante, brindando com um “18 anos”, por você. Meu abraço e minha saudade a todos, aí na curva de Alfa do Centauro. Aqui não me falta absolutamente nada; estou bem; tenho até cafezinho; e carinho é o que não me falta; durmo bem todas as noites; hoje até me disseram, em plena rua, a Nininha (lembra-se dela?) que ando muito parecido a você, e ainda disse – Que bom, né Ramirinho?; tenho até medo de as pessoas sentirem inveja de mim, de tanto que ando feliz; sorrindo sempre; você acredita, inclusive, que perdi a vontade de dançar boleros como você fazia com sua senhora?; e você nem calcula como o “Quizas” ainda me toca quando toco, mas só por você e por nada mais em minha vida pessoal; eu ando tão bem e tão desnecessitado de qualquer coisa, que o “Quizas” só me faz lembrar de você; de mais nada. Sabia?
Tem até um “poeminha” de um certo senhor que deve estar aí perto de você, na Centauro, que vou remendar (ele que me perdoe). O Mário deixou de dizer uma coisa:
Talvez porque sua mãezinha tenha morrido de parto!
Ou encontrar um vestido de noiva numa casa de penhores
Ou começar cheio de rimas quando se escreve em prosa
Ou não encontrar rimas quando se escreve em verso
(Também, quem me mandou escrever clássico?!)
Bendita seja a Isadora Duncan, que inventou o verso livre da dança!
Só não sei,
Mesmo,
O que eu queria dizer com tudo isso…”1
- Se o Mário tocasse o “Quizas”, em meu piano, saberia…
Então, pra você…
Quizas – Ibrahim Ferrer & Omara Portuondo (e Roberto Fonseca em meu lugar…)
postado por Ramiro, o segundo (28/01/2012)
PS: a neta também manda um beijo carinhoso!
- Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990 [↩]
Jan
26
Se você pensa que golpe de vista é para goleiro de time de futebol, tenista amador ou menina gangorrando em jacarandá na casa de vovó, está enganado: Platão também tinha lá seus golpes de vista, quando tratava de “love-matters”.
E Platão, acho que inevitavelmente, colocou Sócrates numa situação dessas de igualar seu mestre aos demais atenienses de fino trato, naquela época em que a Grécia não era essa bagunça capitalista e assistencialista de hoje, já quase fazendo franchising de seus monumentos para alguma holding internacional.
Aliás, antes de entrar nesta seara, devo lembrar uma sentença de Jacques LACAN que me auxiliará neste meu delírio interpretativo. Disse nosso mestre da Psicanálise:
LACAN, Jacques. Seminário, livro 11.
Platão, só por isso, e porque, no Banquete, ele vai mais longe que em qualquer outra parte ( para nos indicar a significação de comédia de seus diálogos, e leva aqui a coisa até a pantomima, Platão não pôde fazer mais que nos indicar, da maneira mais precisa, o lugar da transferência.1
Então, como se vê, Lacan também deixa claro que conhece profundamente Platão e isto, por si só, já é mais que um aval – mas uma indicação clara – para que nos interessemos em relacionar a) psicanálise e filosofia, b) bebida e banquete, c) uma linda loira sulista e um golpe de vista estonteante.
Claro que Lacan foi, pôde parecer, rude demais com o velho e bom Platão, dizendo de um diálogo chegar às raias da comédia, que o filósofo grego “leva aqui a coisa até a pantomima”. Mas Lacan estava preocupado com a “transferência” e com o que ocorre nos desejos e nos desejos no Outro; e ficou ligeiramente embriagado (em duplo sentido) com a água pura e cristalina em Platão.
Em O Banquete (ou Symposium), lá pelas tantas do final do diálogo, estando todos reunidos num círculo atapetado e almofadado, o médico Erixímaco resolve dar fim ao debate sobre o tema daquela noite, que era, nada mais nada menos, sobre O AMOR.
Erixímaco retruca:
PLATÃO. Banquete, 176b 2
Atento ao que eles diziam, interveio Erixímaco, filho de Acúmeno:
- Folgo com o que dissestes; falta-me, porém, ouvir ainda um de vós; como vão as tuas forças de bebedor, Agatão?
Bem atento, Erixímaco tinha, ao longo de todo o diálogo, o interesse pessoal sobre aquele que ama e aquele que é amado (erástes e erômenos). Ao usar seu conhecimento médico, Erixímaco, captando as intenções de Pausânias – a “transferência” navegando pelo ambiente e pelos entre-olhares -, sugere que a bebida pode inclinar o corpo a agruras. Ele decide por todos e diz, textualmente:
PLATÃO. Banquete, 176b
Portanto, como nenhum dos presentes parece inclinado a beber muito vinho, talvez eu não vos seja tão enfadonho expondo a verdade sobre a natureza da embriaguez. Da prática da medicina, creio, aprendi que a embriaguez é nociva ao homem; espontaneamente, eu não me disporia a levar longe a bebida, nem o aconselharia a outrem, principalmente a quem está de ressaca da véspera.
Mas convém prestar bem atenção: este “a quem está de ressaca da véspera” é, antes uma metáfora que, propriamente, uma receita; esconde mais coelhos que possa supor nossa vã filosofia!
Não se deve pensar, precipitadamente, que Erixímaco é contra libações dionisíacas. Não há, aqui, o convite enfadonho de discorrer, racionalmente, sobre a bebida; mas esconde um outro jogo, bem mais divertido, bem mais ao gosto dos gregos (e que, me parece, irritou Lacan), é dizer:
- melhor que a bebida, é o embebedar-se com as intimidades alheias e, mais que isto, para além delas, após todas estarem desnudas, as próprias intimidades são lançadas ao ar.
Lacan, quando se refere à “pantomima” criada por Platão, parece (grifo, acentuo: parece, em meu entender) deixar escapar este mero detalhe: o do embebedar-se com as intimidades alheias!
Ou, se preferirem, um modo sofisticado de se fazer FOFOCA!
A ironia de Erixímaco atinge limites extremos. Ele próprio diz que, já que todos concordavam em não beber muito, como vimos acima, logo em seguida afirma que “uma vez assentado que beberá cada um o quanto lhe aprouver”…
Isto parece um contra-senso delicioso e deliciosamente grego; sutilíssimo; enfim, platônico.
Fedro – um dos participantes do diálogo – declara, então, que obedeceria a Erixímaco sobre tudo; e este, por sua vez, declara que fará mais gentilezas a Fedro, dando-lhe como presente uma homenagem ao deus do amor, declarando o tom das revelações íntimas com novos matizes: da curiosidade à revelação, desta à pompa, da pompa ao elogio, deste à conquista do amado e do amante. Enquanto uns ficam a saber os segredos dos outros, ao mesmo tempo se declaram apaixonados. Arma-se o jogo das entrelinhas, das referências sutis, do flerte discreto ou aberto.
Sócrates não mais pode escapar – como queria e o fez, no dia anterior. Por isto, declara, definitivamente:
PLATÃO. Banquete, 177e
“No one, Eryximachus,” said Socrates, “will vote against you: I do not see how I could myself decline,
[177e] when I set up to understand nothing but love-matters; nor could Agathon and Pausanias either, nor yet Aristophanes, who divides his time between Dionysus and Aphrodite; nor could any other of the persons I see before me. To be sure, we who sit at the bottom do not get a fair chance: but if the earlier speakers rise nobly to the occasion, we shall be quite content. So now let Phaedrus, with our best wishes, make a beginning and give us an eulogy of Love.” 3
“An eulogy of love”!
Ele não como pode mais declinar (I do not see how I could myself decline). Até porque ele não sabe nada, declara nada saber, a não ser… a respeito de assuntos amorosos (love-matters).
Sócrates adverte, faz saber (phêmi), que as coisas fiquem nos devidos lugares (epistasthai, de ephistêmi). A expressão que Sócrates usa é para o amatório.
Amatório é algo parecido com oratório. Tem um toque divino em si mesmo. É aquilo que dá a virtude de despertar o amor (erôtikos), mas não como Aristófanes fez em seu discurso no Banquete, invocando Dioníso e Afrodite (nor yet Aristophanes, who divides his time between Dionysus and Aphrodite) para fazer o bem a alguém (agathôn). Sócrates está resgatando, num outro trocadilho com o nome de Agatão, a relação direta entre erôtikos e agathôn.
Nesse caso, “love-matters” é mais que assunto de amor, mas a busca de um meio (erôtikos) para despertar o amor e fazer o bem a alguém (agathôn).
Onde está a pantomima aí? A pantomima está no esforço de Sócrates em mostrar o que se deve fazer, para escapar do convívio dos bufões, para jogar fora o que não interessa e guardar apenas o que importa. Só então poderá ocorrer a tal “transferência” que tanto preocupa Lacan e todos nós (aliás).
Seja como for, tenho sugerido a mim mesmo mais cuidados com certos trechos do pensamento de Lacan (e de Platão, além do mais); e com sombras aparentemente perfeitas dos jacarandás. Mas eu votaria a favor, sem a menor dúvida, na proposta de Erixímaco segundo a qual não se deve beber porque “a embriaguez é nociva ao homem”.
E hoje em dia os golpes de vista não se dão mais apenas em banquetes, mas também via facebook.
E eu estou assustado, no bom sentido, a este respeito!
postado por Ramiro Corrêa (26/01/2012)
- LACAN, Jacques. Seminário, livro 11. Tradição de M. D. Magno. 2 ed. RJ: Jorge Zahar, 2008. Cap XVIII [↩]
- utilizo a versão portuguesa conforme em PLATÃO. O Banquete. In: Diálogos. Tradução de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix [↩]
- utilizo a versão inglesa de FOWLER, H. N. Plato in Twelve Volumes. Vol. 1. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1966 [↩]
Apresentamos mais uma conferência de Elhanan Marasow, realizada em Paris neste mês de janeiro de 2012 e publicada em vídeo no site da Akadem – Paris (AQUI).
Elhanan Marasow é rabino e ensina na comunidade Loubavitch.
Nesta conferência, Elhanan Marasow trata do livro do Exode (ch.10, v.1 à ch.13, v.16) sobre a praga dos gafanhotos, no Egito, sobre as trevas, a Páscoa e a Décima primeira praga. De um só fôlego, Marasow examina a partida a Israel, a espoliação dos egípcios e os festejos necessários para a preparação da Páscoa.
O título da conferência é:
La plaie de la mort des premiers-nés
Bo: l’amour dépasse la logique (19 mn)
Elhanan Marasow, Rabbin de la communauté Loubavitch
Sefarim – Paris, janvier 2012

Clique abaixo para ouvir:
postado por Ramiro (25/01/2012)
Jan
24
Jan
22
Dá de arrepiar sim, mas já era de ser de nada de ser. “Stones would play inside her head”1, e que nem praga pr’o I-Juca-Pirama, que “where she slept, They made her bed”2, ou até ainda, “she would ache for love And get”3. Mas rochas, “but stones”4… “la la la la la la la home…”
Deixa se deixar, “Lordy, child! A good day’s comin’”5 e havia de saber que pra ti “I’ll be there to let the sun in, And bein’ lost”6. Como diz o Rosa, “que o diabo não existe… existe é o homem humano”7 e as Aracys. Olha:
You and me, Child, a harvest granting
The every prayer ever prayed
For just two wild flowers that grow
La la la la la la la la la8”
Neil Diamond – Stones
Thank You, Neil, for this song!
postado por Ramiro (22/01/2012)
- Neil Diamond, Stones [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
- ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas; página 607; editora Nova Fronteira [↩]
- Neil Diamond, Stones [↩]
Jan
21
Sempre a Aracy
Categoria: Recanto da Marina |
Para comentar clique aqui
“- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja.”1
Dá um arrepio, toda vez.
“… Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai. E é bom amigo-de-seus-amigos. Só que tem os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens”2
Vontade danada de nunca sair do sertão e sair ao mesmo tempo.
“- Meu amor!…”
Foi assim. Eu tinha me debruçado na janela, pra poder não presenciar o mundo.”3
Talvez viver um amor de sertão.
“O Senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem tempo real.”4
Viver talvez, apenas.
“Aonde ia, eu retinha bem, mesmo na doidagem. A um lugar só: às Veredas-Mortas… De volta. Como se, tudo revendo, refazendo, eu pudesse receber outras vez o que não tinha tido, repor Diadorim em vida? O que eu pensei, o pobre de mim. Eu queria me abraçar com uma serrania? Mas, nessa parte, de muito mal me lembro, pelo revés em minha saúde. Ao que eu ia, de repente, me vinha um assombramento de espírito, muita vez tonteei, de ter de segurar, de cair, e , depois, durante muitos espaços, eu restava esquecido de tudo, de quem eu era, de meu sualdo, o Acauã, João Concliz, e o Paspe, me cuidavam; esses tinham, por toda a lei, forçado de me acompanharem, vinham comigo; e o Fafafa, mais João Nonato e Comprade Ciril, que vieram depois. Amigos meus. Aí eu vinha.”5
Ser assim, de corpo em pé, de estar aí no sertão das gerais, ou pra onde o sertão se expandir de me levar. Ser o sertão de mim. E perder as apólices de minhas terras. Ser.
“Cerro. O senhor vê. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barraqueiro. Para a velhice vou, com ordem e trabalho. Sei de mim? Cumpro. O Rio de São Francisco – que de tão grande se comparece – parece é um pau grosso, em pé, enorme… Amável o senhor me ouviu, minha idéia confirmou: que o Diabo não existe. Pois não? O senhor é um homem soberano, circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for… Existe é o homem humano. Travessia.”6
Ser.
Postado por Marina Corrêa 21/01/2012
- ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas; página 7; editora Nova Fronteira [↩]
- idem, páginas 12 e 13 [↩]
- idenm Página 599 [↩]
- idem, Página 599 [↩]
- idem, página 601 [↩]
- idem, Páginas 607 e 608 [↩]
Jan
20
Repetindo o início de um post, de abril de 2011, aqui no Filosofix:
“Mas se não sai em quase noticiário algum, se não faz diferença na balança comercial de ninguém, o que há lá, no Tibet, de tão importante assim? O topo do mundo?
Será que tem algo a ver com uma “necessária negação” da liberdade? Ou será que alguns monges tibetanos têm alguma arma mais poderosa, desenvolvida por “transmutação de orações”? ”
Transmutação de orações?
Veja a foto abaixo:

Você se perguntará: mas isto se parece com aqueles comboios da época da Segunda Grande Guerra, para os campos de extermínio, em Treblinka ou Auschwitz, dos fornos crematórios? Monges tibetanos se auto-imolam atiçando fogo aos próprios corpos.
Leia a notícia a seguir:
Full list of self-immolations in Tibet
Share – Updated on 17 January 2012
Since March 2011, 16 people have set themselves on fire in protest against the repressive Chinese occupation of Tibet.
Twelve are thought to have died; the well-being and whereabouts of most of the others remain unknown. Self-immolations and protests are now taking place over a widening area of Tibet.
See the map of self-immolations
Viewed in the context of other recent significant protests, the self-immolations underline that the current crisis in Tibet represents a fundamental rejection of China’s occupation.
Read about the major incidents of 2011
Details of each individual self-immolation can be found below.
TRADUZINDO:
Desde 16 de Março de 2011, pessoas têm atirado fogo a si mesmas em protesto contra a repressão chinesa pela ocupação do Tibet.
Doze já morreram (Nota do tradutor: segundo “contagem” oficial); o bem estar e o paradeiro da maior parte de outros mortos permanecem desconhecidos. A auto-imolação e os protestos estão se realizando agora em um espaço mais amplo em todo o Tibet.
Veja o mapa da auto-imolação aqui
No contexto de outros protestos significativos recentes, a auto-imolação sublinha o fato de que a crise atual no Tibet representa uma rejeição fundamental à ocupação da China.
Fonte: Free Tibet (ler mais aqui…)
Vamos repetir aquela foto de monges em caminhões, sendo levados em comboio para algum lugar. Os monges com cartazes em volta dos seus pescoços vão à frente dos demais, nas laterais dos caminhões, para serem “ostentados” em público. Novamente, os seus nomes e os seus “crimes” – os de se postarem contra o Estado Chinês de ocupação tibetana – estão escritos nos cartazes em volta de seus pescoços.
Qualquer semelhança com os guetos de Varsóvia, durante a Segunda Grande Guerra, parece ser mera coincidência.
Afinal de contas, é mais importante a balança comercial que uma dúzia ou pouco mais de monges baderneiros em processo de auto-imolação, não é mesmo?
Não é mesmo?
- Ah!
Por isto, os monges são perigosos, porque transmutam orações!

Clique aqui, no www.freetibet.org, para ver outras fotos chocantes.

Não deu certo! Ninguém aderiu! Quem é louco, não é mesmo? Causa perdida, mas a campanha solitária do Blog Filosofix continua.
Tentamos, também, aprender “tibetano”, mas não deu certo! Quem quer aprender tibetano?
Então, houve outra campanha impossível:
Não deu certo!
Agora?
Agora, a lição do dia:
(Article 1 of the Universal Declaration of Human Rights)
postado por Ramiro (20/01/2012)
Jan
19

À meia noite deste dia 20 de janeiro, e nos próximos 8 dias, temos a Novena ao São Judas Tadeu. Eu sempre estou aqui, à meia noite de cada um destes dias. Você está convidado(a) a participar comigo. Verifique na coluna lateral, a CATEGORIA NOVENA A SÃO JUDAS e siga-a, por favor. Se sua fé não é a católica, desculpe-me, mas eis aí mais um motivo para exercitar sua humildade.
Seja bem-vindo! Boa novena! Obrigado pela companhia!
postado por Ramiro (19/01/2012)
Apresentamos uma conferência de Floriane Chinsky, proferida em Paris neste mês de janeiro de 2012 e publicada em vídeo no site da Akadem – Paris (AQUI).
Floriane Chinsky é responsável pela comunidade massorti de Bruxelas.
Nesta conferência de hoje, Chinsky trata do livro do Exode ch.6, v.2 à ch.28, v.9), sobre a genealogia de Moisés e Aarão, nume bela abordagem.
O título da conferência é:
Victimes, bourreaux et résistants
Vaéra: tragique passivité (35 mn)
Floriane Chinsky, communauté massorti de Bruxelles
Sefarim – Paris, janvier 2012

Clique abaixo para ouvir. Tire proveitos:
postado por Ramiro (21/11/2011)
Jan
17
Jan
16
Repetir um post de anos anteriores pode ser indelicado com Navegantes que por aqui aparecem. Para evitar isto, publico o poema de Chao Yong de baixo para cima, do último ao primeiro verso. Leia-o do fim ao começo, por gentileza!
Só há um poema, dos poucos que conheço, que revela meu único modo de viver todo dia como 16 de janeiro (e que repito indefinidamente):
mostrando a lua opalescente
com um gesto apenas respondia,
Falava pouco: comumente,
aos quais o amor atormentava:
aos iludidos corações
Eis a receita que ele dava

mandava versos de alto estilo
que a cada jovem sonhador
Era um filósofo tranqüilo
a fim de que em todo o Universo
o nome ilustre de Chao Yong,
Quero fixar, neste meu verso,
Ho Yen Mong, O Doutor do Prazer Tranqüilo. 1362-1430 1
Estendo os versos de Chao Yong, no dia que nunca termina, não somente para os corações atormentados pelo amor, mas para todas as catástrofes e para todas as felicidades. Eis o segredo:
- “Plantar petúnias aos milhões…”
postado por Ramiro (16/01/2011)
Postado novamente, de cabeça para baixo, por Ramiro (16/01/2012)
- in: Cem Poemas Chineses. Tradução de Hugo de Castro. SP: Vertente Editora, 1978, p. 48. [↩]
Bem-vindo ao














































