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    • Guest_3786 : Ramiro: Gostei muito de seu post sobre a FELICIDADE. Já havia gostado muito da abordagem de Walace Rodrigues (13/05/2007) — adaptado e republicado em 24/01/2010. Como já me manifestei antes, admiro o seu trabalho e o do Prof. Romano. Vou ler e reler com mais calma, mas, sua menção ao "exato instante" foi muito correta. Pena que nem todos tenham FÉ.
    • Ramiro : Caro Polito, este problema é grave e não acho que está claro na ideia de "eudaimonia", em Aristóteles; e em Platão também; nem Kant. A eles faltou "viver" (ou calaram-se) a intensidade de quem sofre (ouso dizer) o elo entre felicidade e liberdade: o amor. Exporei meu ponto de vista sobre isto, conforme teu pedido. Ousarei mais ainda, para não cometer o erro que Nietzsche aponta, o de não ir além. Abraços :)
    • Guest_4044 : Ramiro: Além de gostar de ler as Fábulas do Lobo de três Pernas, desde há muito penso nas relações entre FELICIDADE & LIBERDADE. Foi por isso que li muito atentamente o seu texto "KANT E A EXISTÊNCIA DE DEUS ", que me levou ao outro texto "EQUAÇÃO HOBBESIANA DA LIBERDADE" . Sendo eu um Químico por vocação, tendo filosofar por "invocação" e gostaria de ler uma interpretação sua focalizando a sensação de FELICIDADE em termos de LIBERDADE INDIVIDUAL Isto poderia ser esclare
    • Ramiro : Lorena, clique na página de CONTATO, acima, no Blog. Eu não tenho autonomia para tanto, mas posso te indicar quem tenha. :)











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Pedimos licença ao poeta Chang Wu Kiang, para alterar a natureza de seu poema, do “ele” para o “ela”:

A Insana (Chang Wu Kian)

Gesticulando, ela embrenhou-se pelas
trevas da noite adentro.
Tinha o ar,
gesticulando, de colher estrelas…

 
 
 
 

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 Feliz Aniversário Jia Jiao! 
 

São os votos de MEM PHILIPPE e sua turma inteira, humildemente!

postado por Ramiro (31/07/2010)



Comemore conosco, Navegante, a marca de

 Um Milhão e Quinhentas Mil Visitas ao Filosofix 

Logo do Blog Filosofix

e assista o vídeo em sua homenagem!

 
 Um milhão e quinhentas mil presenças: Play Now | Play in Popup

Obrigado!

postado por Ramiro Corrêa (30/07/2010)



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Prêmio Nun Fallen Chin at Blog Filosofix

Prêmio Nun Fallen Chin aos formidáveis
 

postado por Ramiro (29/07/2010)



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postado por Ramiro (28/07/2010)



Queremos comemorar a incrível marca de

 Um Milhão e Quinhentas Mil Presenças ao Filosofix  

com você, Navegante! Ainda nesta semana de Julho e, Deus permita, no dia 31!

Vamos reprisar o post da marca de 1.300.000 alcançada em 30 de abril p.p., só para dar o tom dos festejos…

O vídeo a seguir apresenta o grupo The Ink Spots numa versão genial de Shine on Harvest Moon. Incluímos a participação especial de Stan Laurel e Oliver Hardy que também a interpretam como pode ser visto no post Colheita em tempo de lua brilhante.

À nossa colheita:

 
 Colheita em tempo de Lua Brilhante: Play Now | Play in Popup

Obrigadíssimo Amigo e Amiga do Filosofix.

postado por Ramiro (27/07/2010)



Veja a seguir a última conferência de Pauline Bebe, realizada neste julho de 2010 e exibida em vídeo no site da AKADEM AQUI.

Bebe é a primeira rabina francesa; nascida em 1965, é titular das cadeiras de Inglês e Hebreu no Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais. Defendeu mestrado em “L’attitude du judaïsme face au prosélytisme et à la conversion” e defendeu a tese sobre “L’éthique du langage dans la tradition juive“. Desenvolve estudos rabínicos na Inglaterra e em Israel. Exerceu, em 1995, dentro da comunidade judáica liberal, grande liderança. Dentre suas principais obras encontram-se:
 
- Pauline Bebe, Qu’est-ce que le judaïsme libéral ? (Calmann-Lévy, 2006)
- Pauline Bebe, Isha (Calmann-Lévy, 2001)
- Colloque (dont Pauline Bebe), Femmes et judaïsme aujourd’hui (In Press, 2008)
- Colloque (dont Pauline Bebe), Peut-on faire le bonheur de ses enfants (Editions de l’Atelier, 2003)
- Pauline Bebe, Le Judaïsme libéral (Grancher, 1993)
- Pauline Bebe, Isha : Dictionnaire des femmes et du judaïsme (Calmann-Levy, 2001)
- Table-ronde, Cultiver la mémoire (Centre Simon Wiesenthal - Paris, novembre 2008)

Hoje, a conferencista trata do DEUTERONÔMIO (ch. 7, v. 12 à ch. 11, v. 25), acerca da força divina, das tentações da terra prometida e da Prece de Moisés; trata, também da Arca da Aliança, da circuncisão e das promessas em geral.

O título da conferência é:

Moïse parle à la nouvelle génération

 
Eikev: recommandations de Moïse avant l’entrée en Canaan (28 mn)
Pauline Bebe, CJL-Nitsa
Akadem - Paris, juillet 2010

Clique abaixo para ouvir:

postado por Ramiro (26/07/2010)



De “péssimo” trato…

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Prêmio Dedo de Pilatos at Blog Filosofix

Prêmio Dedo de Pilatos aos formidáveis “usuários” da máquina pública
 

postado por Ramiro (26/07/2010)



Há certas coisas que um homem não deveria dizer em público, muito menos no Blog Filosofix que é lugar de não dizer-se nada que não esconda alguma pilastra perdida e caída nalgum canto e ditada por algum filósofo. Mas eu, como tal, aquele ou este, não resisto à tentação, justo por ser o último na cronica de todos os últimos domingos recentes que passaram e que virão, especialmente o último de julho.

“Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar”, disse Wittgenstein no Tratatus Logico-Philosophicus (Wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen).

E é esta mesma, a dificuldade de todo escritor: a palavra. E tanta, de tão óbvia, que a sentença parece ridícula.

Mas não é, não!

Por exemplo: são cinco e trinta da manhã e isto é solidão. A palavra, esta e todas as demais, já traz consigo algo de universal que o escritor não consegue, quase nunca, superar. Se digo que a sinto, corro o risco de comparar-me. Wittgenstein, portanto, estava certo sobre aquilo de que não se pode falar; mas nem tão correto quanto o dever calar.

Por isto, como disse, não resisto à tentação, esta de lhe oferecer uma cronica de domingo, do último que sou nos domingos últimos e nos próximos nem tão próximos assim que virão.

Tratemos, pois, de solidão: da minha!

Eu gosto de tomates, mas prefiro os descascados. Por que? Solidão! Só uma, e apenas uma, outra pessoa deveria saber disto! Pense e concorde!

Há coisas sobre as quais eu não deveria falar. Como, ao comprar uma garrafinha d’água… prefiro a mineral gasosa. E meu ovo frito deve ter a clara torrada e a gema mole; faz-se em óleo fervente. Meu café deve ser forte e sempre, sempre, coado na hora. Eu não gosto de quiabo; e de giló, só frito e olhe lá. Por que? Solidão!

Que mulheres atentam para estes detalhes na vida de um homem? Quase nenhuma! Preferem cuidar de outros que preferem tudo delas.

Veja bem: eu não gosto de gordura nas carnes assadas, grelhadas ou cozidas; é preciso limpar com cuidado. Não como camarão, mas tenho predileção por bacalhau. Meu doce favorito é o doce de leite; algumas vezes me aventuro no quindim, mas não pode ter gosto acentuado de ovo. E tudo isso por que? Solidão.

Sabe como durmo? Eu gosto de meter a mão por baixo do travesseiro; mas não consigo dormir com zunidos de pernilongos. E se acordo, na madrugada, e vejo um céu estrelado, enche-me o peito de angústia só em pensar que ela, seja lá quem for, esteja a dormir aconchegada. Em desespero, é comum calçar um tênis, faça frio ou calor, e fazer uma caminhada. Solidão.

Sabe como acordo? Não queira saber! É o medo de não abrir os olhos e não ver, nunca ver… a solidão.

Meus domingos - este de sua cronica gratuita, honestamente gratuita -, pelas manhãs, são de acordar tarde. Por que? Para não ver as manhãs. E às tardes, são de almoçar tarde para esquecer as manhãs. Às noites, reservo-as para o Evangelho do Cristo, único instante em que vivo… a Palavra, daquilo que não se deve calar; mas o restante é de esperar as segundas-feiras, que sempre contarão, quase sempre, a mesma espera dos próximos domingos.

Por que?… responda você!

As Macabéias de Clarice, os vastos mundos de Carlos, os humilhados de Fiódor, os livros inteiros desses aí que escreveram para contar uma só palavra impossível de ser dita - solidão -, por mim não são livros: apenas a sua, a tua, última cronica de um julho qualquer… um julho que se encerra em 31 de julho. Por que? Porque nunca será 32 de julho; 32, jamais!

Por que?… responda você!

Eu não gosto de roupa cor de vinho, em mim. Anote aí. Não uso sapato marron, quase nunca. Minhas músicas são do tempo antigo; aqueles temas do cinema americano, bem antigos; até mesmo alguns clássicos. Beethoven e Villa Lobos são meus preferidos, mas não gosto de Wagner. E quando ouço Altemar Dutra - e os de sua estirpe -, só o faço com fone de ouvido.

Eu leio Ferreira Gullar com emoção. Gonçalves Dias, mais ainda. Meu piano tem o som de fim de madrugada, sempre foi assim e nunca - nunca mesmo - foi ouvido por mulher alguma; e acho que não será jamais neste horário; embora eu sempre tivesse me preparado para tanto. E que tanto!

Eu gosto de andar descalço em casa, e onde mais pudesse andar. Mas raramente assim faço, para não dar ar de estar à vontade. Eu gosto de minhas camisas rasgadas e furadas, velhas e cheirosas, largas. Cismo de reger orquestras em noites de gala, passando por ali ao acaso e substituindo um maestro gripado qualquer. Às vezes, vejo-me forçado, num sonho, a tocar alguma coisa ao piano, num bar qualquer, e retornar à mesa, com aquele olhar modesto, sentar-me, continuar meu jantar à luz de velas, como se nada houvesse acontecido, ao lado dela. E bem vestido, cuidadosamente cuidado… por ela. Mas, que ela?

Por que?

Ah! Que eu não sou livre, você dirá! Que não sou filósofo que está c… e andando para o resto, que se daria ao luxo de ser ele contra o todo que se danasse…

Mas por que?, você há de perguntar.

É que a solidão, esta de que falo, é mais potente que qualquer filósofo possa ser. Isto é: filósofo de araque, é ou não é? Pois é.

Mas há bem mais dentre as coisas que prefiro e não as tenho como quis ter. Como quis ter. Quer exemplos? Fácil dizer, então, sobre aquilo que se deve calar. Café na cama? Cafezinho surpresa em hora inesperada? Um beijo ganho e pego pelas costas, sentado, enquanto escrevo ou estudo sobre algo? O silêncio premeditado? Fazer a barba sob o chuveiro, demoradamente? Fazer amor? Ah! Fazer amor!… Preparar meu cachimbo com tempo suficiente antes de ir ao teatro? Jogar Xadrez? Um bifão com arroz branquinho bem tarde da noite, para deixar vizinhos esfomeados? A mesa de meu escritório com um jarro de rosas vermelhas? Meu Sanctum Rosacruz perfumado com incenso de rosa musgosa da Índia? Uma tela a óleo de minha filha na parede da sala? Meu desodorante predileto? Água gelada em copo grande e desafiador? Uma sopa, caldo verde, às vezes? O prazer da Missa aos domingos? Meu Mestre, o Philippe, sempre no peito?

E por que não? Porque, lá fora, a miséria come desenfreada e a desgraça campeia? Não! Apenas, solidão.

O meu chocolate preferido é o Diamante Negro, já disse outras vezes aqui. Meu sorvete só pode ser o Eskibon. Na Famiglia Mancini, só comi gnocci aos quatro queijos. Pizza é no Migueluccio ou na Mangabeiras, para mim; e gosto das de escarola com alicci. Chopp, apenas dois: um claro e outro escuro. Gosto de esfihas, demais; abertas, de carne. Acho os árabes simpáticos.

Sempre sonhei vê-los, por todo o sempre, de mãos dadas aos judeus; mas… “Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar”.

E tudo isto é solidão.

Eu não sei qual será o Evangelho deste domingo, o último de julho; prefiro a surpresa; estarei lá para ouvir.

Eu também não sei o que a maré há de trazer para todos nós neste domingo; prefiro a surpresa; estarei lá para receber.

Eu não sei por quantos mais domingos eu estarei à espera do fim de esperar; prefiro, eu, ser a surpresa; não estarei lá.

E eu não sei por quantos anteriores domingos estive a esperar esse fim de esperar; preferi a surpresa do ser; que não estava lá embora estivesse.

Mas sei o que é preferir. Porque quem as tem, ainda como eu, as preferências, é só.

Como você pode ver, conjugo este verbo por tempos imemoriais.

Preferir vem e vai da preferência das coisas e dos sentidos das urgências perenes… e por que não dizer cronicas?

Há quem seja como coisas ou sentidos. Eu sou como preferir.

Por isso, sei pelo menos algo: o que prefiro. E longe da solidão; mas nem tanto que me avacalhe, a mim, ao ponto de me dar a fingir entre os mornos, mornamente aquecidos.

E quem sabe das coisas ou dos sentidos de si, preferiria trocar tudo isso por uma só coisa:

- Como diria meu amigo - Jesus: Ah! Marta! Marta!

Bem: eis sua, tua, cronica de domingo, do último neste último de julho. E se perguntar-mo-nos agora, quem ganhou o que com ela, eis uma boa resposta:

- Que é preferível não ser amado pela metade, a ter que reconhecer que não se é capaz de encontrar, um dia, quem sabe…

- Que é preferível escrever sobre o sentido de uma só palavra. que a falta de sentido de uma ilusão.

postado por Ramiro Corrêa (25/07/2010)



Para conectar Lacan às investigações de Saussure e de Lévi-Strauss, um psicanalista pode tomar o “absolutamente nada” capturado da imagem e remete-lo às “cadeias do simbólico” - ou do “signo linguístico” -; e assim o imaginário que vem antes, funde-se ao simbólico que é PRIMÁRIO.

Traduzido em miúdos: o simbólico, que é a “linguagem”, torna o homem humanizado – ou desumanizado, conforme o caso.

Mas, é voz corrente que Lacan, em amplo sentido, seja um ESTRUTURALISTA na medida em que coloca um mundo sobre outro – o real sobre o imaginário. Gostaria de discordar, veemente, dessa maneira de estigmatização do pensamento de Lacan, mesmo que ele mesmo tenha se declarado como tal. Isto é, discordo dele, do que ele pensava sobre si mesmo!

Porque, apenas para apontar o rumo da discussão que poderia assumir contra isto, ao tratar da “forma”, Lacan não está tratando de uma “psicologia das formas”, que muito mal, pessimamente, traduziria (se era esta a intenção) o sentido da palavra grega EIDÓS, que até mesmo Platão parece ter tido dificuldades para delinear.

Lacan reflete sobre essa segunda “forma” que a fenomenologia distingue. De que há nela uma certa universalidade, traduzível em todas as línguas, traduzível no sentido de que está presente como ESTRUTURA PROFUNDA – para empregar um conceito da linguística de Noam CHOMSKY -, mas intraduzível em sua essência, porque é inata, desde Platão à Chomsky.

Para justificar essa que seria uma tendência estruturalista de Lacan, costuma-se trazer à tona o mito de Narciso como uma descrição da “forma” do corpo espelhada na água e dizer-se que isso contribuiria para colocar o tal “fenômeno narcisista” numa perspectiva original.

Porém, não se trata apenas da forma, do aspecto físico, da beleza do jovem efebo Narciso. E nem é uma perspectiva original, a análise de Lacan sobre o mito, mas a única possível para o estudo do mito de Narciso e da ninfa Eco.

Há algo que não é dito, nem por Lacan, nem por quase todos os estruturalistas, sobre este problema da forma, que impõe o retorno à questão grega sobre EIDÓS.

O drama da não-forma. Do etéreo.

A não-forma que melhor pode expressar o “eidós” não está somente em Narciso, mas também em Eco.

Vamos por partes.

A Ninfa dos Bosques, cujo nome era Eco, gostava de um Sátiro que não lhe dava a menor atenção; até que, finalmente, se apaixonou por Narciso, aquele que foi o mais belo dos efebos. E Eco logo percebeu que Narciso não gostava de mulheres e vivia apaixonado por si mesmo. Assim, a ninfa foi rejeitada por seu grande amor e, de tão magoada, acabou vítima de uma tragédia: passou a viver numa solidão sem tamanho, e desse romance falido veio o encontro e o desencontro, a discórdia, com cada um a viver a própria aventura.

Narciso, que só amava a si, e Eco, que implorava por amor. Seria, mais ou menos esta, a interpretação “superficial” do mito.

Mas…

Isto – implorar amor, buscar gratificação, recompensa - será – ou seria – fundamental para ser considerado quando se estuda o que Lacan chama de TRANSFERÊNCIA, no processo onde o paciente busca conquistar ou até mesmo enganar o analista e este, por sua vez, coloca em cena seus próprios preconceitos.

A ninfa, de tamanho desgosto, foi transformada em pedra.

Para os antigos gregos, então, o mito de Narciso (e de Eco) - personagens inseparáveis, é bom lembrar - representava o humano que nasce de Deus e a Ele retorna.

Notemos, sobretudo, que este retorno ao deus, em Narciso, é justamente o que Lacan trata como o objetivo principal da psicanálise, o tal “Wo es war, soll Ich werden” de que trato mais adiante.

E, contrariamente também, a mulher, Eco, representava para os gregos a pedra bruta que vem do céu e retorna só, e somente só, quando for pedra polida. Para os atuais MAÇONS, por exemplo, este é um importante fato – desconhecido de muitos, diga-se de passagem -, que merece reflexão, sobre a “pedra bruta” e a “pedra polida”.

Vemos, ademais, que os valores do mito de Narciso e Eco estão totalmente invertidos hoje em dia, por mais estranho que possa parecer: acerca deste não-saber original.

Convém olhar um pouco mais sobre o significado da pedra. Por exemplo, as Górgonas, entre elas Medusa, transformavam quem as olhava em pedra; Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra montanha acima, para toda a eternidade; e agora, a ninfa Eco torna-se pedra bruta até que um dia algum homem a devolva aos céus, novamente, tornando-a pedra polida.

Noutras palavras: o feminino em cada homem, que é sua mulher ou sua própria alma, precisa, constantemente, de cuidados permanentes, do “malhar em pedra bruta”.

Porém, antes desse “trágico fim” da ninfa Eco, inscrito no “destino”, um deus caiu, perdidamente, apaixonado por ela. Ninguém menos que Pã – Dioniso, para ser mais preciso! E, para ser mais preciso ainda, Dioniso nascido na Casa Real de Tebas, filho de Sêmele, e primo direto de Édipo Rei, portanto!

Obviamente que a ninfa não resistiu aos encantos do Deus da Paixão, engravidou-se e teve uma garota, cujo nome era IAMBE, a deusa grega da Alegria antiga e da Vulgaridade moderna (leia mais AQUI sobre IAMBE).

Iambe, também chamada BAUBO (que é o mesmo que fazer dormir, ninar), era a deusa grega “babá”, ou ama seca, e é representada por uma estatueta onde está de pernas abertas e mostrando a vagina escancarada e despudorada!

É de se ver que o mito de Narciso está estritamente vinculado a Eco e Iambe.

O fenômeno “narcisista” badalado pelo “estruturalismo lacaniano” não é, pois, apenas algo que pode ser “adaptado” à Teoria do Espelho de Lacan, nem muito menos uma adaptação de Lacan ao mito de Narciso.

Trata-se de um, digamos, “espelho convexo” ou, se preferirmos, de um “espelho iâmbico“. Entenda-se!!!

Para quem quiser ir além, aliás, há aqui uma sutil e refinada conexão entre Édipo e Narciso: se um, para FREUD, representava o amor do filho pela mãe; o outro, Narciso, aponta para o encontro entre o espelho e a alegria de Iambe. O desejo.

Para além daquilo que se diz, de que o fenômeno narcísico é um modo profundo de se entender as relação do homem, para além do contato com a mãe e com a cultura, a mais não poder tratamos dessa história de lapidação da “pedra bruta”, desse que seria o aparecer do construir-se como ser humano.

Repito: do aparecer… o aparecer do construir-se como ser humano.

Refriso, numa sentença conhecida de FREUD: “Wo es war, soll Ich werden”.

É, pois, verdadeiro e preciso estudar o centro do desejo como NECESSIDADE e DEMANDA; a primeira, de aparente facilidade; mas a segunda – a demanda -, representando a PRESENÇA DA AUSÊNCIA, que é, sobretudo, carência de AMOR, nessa distância abismal entre Narciso e as impossibilidades dele com Eco.

E esta carência AMOR não está nem Narciso e muito menos em Eco; mas em Iambe!

Receber o doce sem amor é uma coisa, receber o doce com amor é outra coisa. A rigor, posso dizer sem medo de errar, Lacan não está preocupado com o mito de Narciso, mas procurando algo, talvez, na história de Eco: sua filha Iambe (embora eu não possa precisar, ainda, se Lacan estudou tal mito e se o conhecia a fundo).

Na verdade, a psicanálise de Lacan verifica aquilo que Narciso quer ser – consciente ou inconscientemente, digo eu - naquilo que Eco não pôde lhe dar.

E Eco não pôde dar a Narciso, porque este não podia ser aquele a quem Eco deu Iambe!

Vejamos que Lacan refere-se, sutilmente, a Eco. Nessas incompletudes, como diz Lacan, “o desejo se produz no além da demanda, porque, articulando a vida do sujeito às suas condições, ela desbasta a necessidade (eu diria, aqui, DESBASTA a PEDRA BRUTA DESBASTADA, justamente na ninfa Eco); mas ele também se encontra no seu aquém, porque, demanda incondicionada pela presença e pela ausência, ela evoca a falta de ser sob as três figuras do nada que constitui o fundo da demanda de amor, de ódio que chega a negar o ser do outro e do indizível daquele que se ignora em sua solicitação”.

Como é costume dizer, parece ser impenetrável este Lacan. E pode mesmo desagradar! Mas é impenetrável para quem não considera Iambe e Eco; como impenetrável é a imagem que o mito solitário de Narciso não revela no sujeito, no “JE”, que discorda a respeito de sua própria realidade, como diria o próprio Lacan!

Na verdade, ainda mais, Narciso ao admirar-se no espelho d’água, não é apaixonado por si mesmo, como vulgarmente diz a voz corrente; ali, a rigor, está o EGO IDEAL posto como imagem que antecipa o si-mesmo antes do outro.

Repito incansavelmente: “Wo es war, soll Ich werden”.

Lacan, se bem quisermos, replica em sua psicanálise – e é bom frisar isto -, a Teoria do Tipo Ideal de Max WEBER, quando o “ideal do ego”, isto é ser-com-o-outro, é um tipo ideal que contraria a imagem original.

Sendo assim, o ingresso, ou o rito de passagem, pelo trauma edipiano torna-se o grande desafio do sujeito que é “extraído”, é parido do útero materno, da própria imagem que estava preservada de si mesmo como Narciso, e atirado no mundo conflitante da relação omnilateral de todos por todos. De onde vem, inclusive, a AGRESSIVIDADE que Lacan examina.

postado por Ramiro Corrêa (24/07/2010)



Veja no GOOGLE (aqui), o convite:

A vida em um dia: No dia 24 de julho, ajude a documentar um único dia na Terra

A Vida em Um Dia é uma experiência global histórica para criar o primeiro longa-metragem do mundo gerado por usuários: um documentário, filmado em um único dia, por você. Em 24 de julho, você terá 24 horas para documentar um trecho da sua vida com uma câmera. As filmagens mais interessantes e originais serão editadas na forma de um documentário experimental, produzido por Ridley Scott e dirigido por Kevin Macdonald.

Participe Agora

Se o seu vídeo for incluído na versão final do filme, você receberá os créditos como colaborador e poderá ser um dos 20 participantes selecionados para assistir ao Sundance Film Festival 2011.

 

O Blog Filosofix participará desta.

Experimente você também.

postado por Ramiro (23/07/2010)



Sargento Schultz at Blog Filosofix

Sargento Schultz informa:
 

De “fino” trato…

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postado por Ramiro (22/07/2010)



Sargento Garcia at Blog Filosofix

Sargento Garcia informa:
 

De “fino” trato…

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De “fino” destrato…

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postado por Ramiro (21/07/2010)



Encontre, a seguir, a mais nova conferência de Henri ACKERMANN, realizada em Strassbourg neste mês de julho de 2010 e exibida em vídeo no site da AKADEM AQUI.

Ackermann nasceu em 1932 (Strassbourg), é dentista de formação e considerado grande líder da comunidade judáica francesa; recebeu, em 2008, a medalha Chevalier de l’Ordre National du Mérite do Governo da França.

O tema de hoje diz-nos de Vaet’hanan  , isto é, sobre o “eu implorar”, quando os judeus da diáspora, geralmente em torno do ciclo anual em julho e agosto, se preparam para o Na’hamou Shabat, ou o sábado imediatamente a seguir em 9 da agosto, salvo engano meu. ACKERMANN faz uma reflexão sobre o livro do DEUTERONÔMIO (ch. 3, v. 21 à ch. 7, v. 11), acerca da infidelidade e a revelação de Horeb e suas exigências; também discute, como no Livro, sobre o segundo discurso de Moisés que aponta para o favor divino.

O título da conferência é:

Redire la Tora aux enfants d’Israël

 
Vaet’hanan: donner du sens à la parole divine (26 mn)
Henri Ackermann, enseignant du judaïsme
Sefarim - Strasbourg, juillet 2010

Clique abaixo para ouvir:

postado por Ramiro (20/07/2010)



Sargento Garcia at Blog Filosofix

Sargento Garcia informa:
 

De “fino” destrato…

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De “fino” trato…

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Sargento Schultz at Blog Filosofix

Sargento Schultz informa:
 

De “impossível” trato…

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postado por Ramiro (20/07/2010)



São Judas Tadeu at Blog Filosofix
 

À meia noite, neste início do dia 20 de julho, e nos próximos 8 dias no mesmo horário, estarei online para fazer a minha Novena a São Judas (com sua licença, Navegante). E se, por acaso, você não se importar, aceite o convite e esteja comigo nestes próximos dias. Não vai lhe custar nada. Olhe na coluna laranja do Blog, na CATEGORIA “Novena a São Judas Tadeu “. Sempre à meia noite e pouco, você poderá ter a certeza de que estaremos juntos, online no Filosofix, se é que a minha companhia lhe interesse - porque a de Judas Tadeu sei que você não recusaria! :)

Seja bem-vindo.

postado por Ramiro (19/07/2010)



Não pretendo comentar - longe de minha autoridade qualquer - quaisquer dos profundos ensinamentos de Jesus, a maioria deles expressos nos Evangelhos.

Mas, neste domingo, a celebração da Missa traz-nos o Evangelho de Lucas, numa passagem saborosa, acerca do que entendo ser o bom humor de Jesus o Cristo. E, para mim, este em especial tem um sabor, digamos, de outro mundo: tem endereço certíssimo, e diz mais do que supõe “nossa vã filosofia”.

Aliás, era mais que hora de todos notarem que também o Divino Mestre sorria, numa de Suas mais caprichosas lições: e como! E era preciso que entendêssemos isto um pouco mais.

Lucas 10, 38-42

Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: “Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.” O Senhor respondeu-lhe: “Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.”

Jesus, Marta e Maria at Blog Filosofix
 

- “Marta, Marta!…”

postado por Ramiro (18/07/2010)



Como se fosse um canto de Pajé.

Ela dizia, apenas com gestos, assim:

Com os braços e as pernas para o ar, deitada:
- Vem! Vem me ouvir, Cara Pintada!
E com mãos cerradas, empunhadas, socando o nada:
- Ouve a alma de tua doce enamorada!

De seus olhos, espremidos, mas sem lágrima:
- Diz já, Cara Pintada, serei vítima?
Nas suas curvinhas, nuas, e toda íntima:
- De que pai, por qual passado e sua rima?

Sua boca, um coração à mostra, ainda sem dente:
- Cara Pintada! Não chora por essa gente!
E sua mãozinha aberta, tocando a lua nascente:
- Ri por mim! De meu passado eterno presente!

Um penachinho em sua moleira e uma tripa no umbigo:
- Dá-me um beijo, Cara Pintada, que é meu amigo!
E segurando os pés, gangorrando no mato-abrigo:
- Que estás comigo, meu ancestral, antigo…

Depois rolava, e de gatinho andava:
- Cara Pintada, brinca! Olha! Com a Estrela D’Alva!
E então sentava, batendo palminhas, e gritava:
- Eu sou tua flor, que tua vida é viva!

Com dedos à boca, então chorava, balbuciando:
- Cara Pintada! Acorda! Estás sonhando?
E logo, sorrindo, caindo às costas e depois voltando:
- Estás fingindo! Querido! Estou te amando…

Ficava em pé, fazendo xixi, com o dedinho em riste:
- Sou tua deusa, Cara Pintada! Não fica triste!
E correndo ao nada, tropeçando em si, assim insiste:
- Eu vou viver! Já volto a ti! Existe… e espera!
 

Quem contou-me esta história já dizia que, no fim da vida, à sua volta (era Cara Pintada) muitos ouviam-no contar a história da menininha, cujo pai, dali para sempre, também ousava, como o velho banguela, fazer o que faziam, contou-me o outro: de que Cara Pintada - também -, quando ela se foi, enfim, perdeu a loucura e ganhou o juízo.

Pois que assim, em todas as tardes, nos fins de tar­des, quando ela dormia nas cabaninhas de seus corações - do de Cara Pintada e do de seu pai -, que eles a imaginavam, sozinhos, no meio da mata, e começavam…

Como se fosse uma dança de Pajé.

Com os braços e as pernas para o ar, deitado;
E as mãos cerradas, empunhadas, socando o nada.

Seus olhos, espremidos, cheios de lágrimas;
E suas curvas, nuas, todo íntimo.

Sua boca, redonda e banguela,
E sua mão aberta, tocando a Lua minguante.

Um cocar na cabeça e uma pena no umbigo;
E segurava os pés, na gangorra da saudade!

Depois rolava aflito, de gatinho, e miava;
E então sentava, batendo palmas até chorar!

Punha os dedos na boca, e os mascava até babar;
E logo sorria, rolando de costas até sentar.

Ficava em pé, fazia xixi, e apontava o dedo:
Para seu coração, e de saudade… sorria!

E os meninos viam!
E ele dizia:

- “Meninos, eu vi!”
 

Ly-o-lay-ale-loya (The counterclockwise circle dance)

(Sacred Spirit - Chants and dances of Native American)
 

postado por Ramiro (17/07/2010)



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Toda a filosofia desmoralizadora num único gesto:

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Prêmio Nun Fallen Chin at Blog Filosofix

Prêmio Nun Fallen Chin aos nossos formidáveis!
 

postado por Ramiro (16/07/2010)


















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