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À prestação

Categoria: Recanto da Marina | Comentários ao final (Leave your comments below)

O vaso quebrou, os badulaques estão destruídos, os cômodos da casa estão sujos. O bibelô de estimação foi-se embora. Tudo o que paguei, tudo o que comprei, tudo que foi meu, de alguma forma envelheceu 5 anos, 10 anos, 20 anos, ficaram perecíveis.

Enquanto o tempo passa feito furacão, impetuoso, com ares de fiscal, levando consigo o que lhe parece apetecer, no fundo de um corredor dois olhos brilham, imóveis. Ao menor ruido esses olhos saltam, correm, vindos de longe, tomando dimensão a medida que o chão encurta; e se fazem perto, por perto, sempre. E eles estão lá, olhando, vigiando, como se fossem uma prece.

De repente algo caiu, dentro da casa, dentro de si, e os olhos aceitaram a culpa pra si, com todas as suas consequências e, mesmo tristes ainda continuaram a te olhar, do canto mais esquecido do quarto.

De amor em amor os olhos te amansam a alma. De amor em amor os olhos te constrangem por toda a falta de paciência. De amor em amor os olhos te compram um sorriso. De amor em amor os olhos só conseguem falar de amor em amor.

O telefone tocou, a ocasião pesou e a rotina consumiu sua alma, num dia onde onde só o esquecer parecia ser solução, e os olhos te olham, por debaixo da porta, esperando sua chave rodar na fechadura, pra continuar te olhando e num rampeio clarear a paz conformista.

Quando um dia você precisou ir embora os olhos compreenderam sua necessidade de partida antes mesmo de você se dar conta que tinha que ir, e então eles te olharam com promessa de criar o caos, quebrar vasos, badulaques, sujar cômodos da casa, tornar velho tudo o que foi novo, pra amenizar a percepção sombria da fugacidade do tempo. E assim os olhos saíram correndo, do fundo do corredor, derrubando tudo que se apoiava no chão, para ficar perto, por perto, sempre, e assumir pra si o peso da vida e devolver com o olhar o amor.

Marina Corrêa

17/03/2015

PS:

Feliz Primeiro Aniversário, Nobú!

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