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Heráclito de Êfeso e a obscuridade singela

Categoria: Artigos | Comentários ao final (Leave your comments below)

Heráclito de Êfeso at Blog Filosofix

(Heráclito de Êfeso – 535 / 475 a.C.)

Heráclito de Êfeso (Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος), era conhecido como   O OBSCURO .

Este senhor deu o que falar na ágora de Atenas; até hoje, há gente que se preocupa com ele e ninguém menos que Heidegger.

Pois acontece que eu, guardadas as proporções, dava uma aula sobre os Filósofos da Natureza (os pré-socráticos), para meus alunos do Primeiro Ano do Ensino Médio. Ditei-lhes a célebre frase de Heráclito que, muito mal traduzida, algumas pessoas dizem ser aquela segundo a qual “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Para tirar as dúvidas, tomei um trecho de Os filósofos pré-socráticos, de Kirk, Haven e Schofield1 e ditei-lhes exatamente como segue:

Potamoísi toísin aýtoísin émvaínoysin étera kai étera ýdata épirreí … scídnesi kai … synáguei … synístatai kai àpoleípei … próseisi kai ápeisi

Quer repetir, por favor, Navegante? Sem preguiça, vamos lá:

Potamoísi toísin aýtoísin émvaínoysin étera kai étera ýdata épirreí … scídnesi kai … synáguei … synístatai kai àpoleípei … próseisi kai ápeisi

A tradução disto aí, para resumir o que estudei com meus alunos, é a seguinte:

Para aqueles que entrarem nos mesmos rios, outras e outras são as águas que eles correm … dispersam-se e … reúnem-se … juntas vêm e para longe fluem … aproximam-se e afastam-se.

Expliquei-lhes que Heráclito,   O OBSCURO , era mesmo obscuro, difícil de ser entendido até por seus contemporâneos. Especialmente, disse-lhes, sobre aquele começo da frase, “para aqueles que se banham nos mesmos rios”, isto é: há os que não entram em tais rios, mas aqueles especiais que ali entram… era para esses que Heráclito dirigia tais palavras.

Por fim, como a aula estava prestes a acabar, sugeri que os alunos fizessem, quem quisesse fazer, sem obrigação de fazê-lo, uma breve redação sobre o que entenderam dessa “obscuridade” heraclitiana.

Hoje, dia 2 de setembro, uma aluna apareceu com o seguinte texto e a recomendação de que eu “desse uma lida com muito cuidado“, advertindo-me. Eis a redação da garota de 15 anos:

A obscuridade singela

Para os que entram no mesmo rio, outras serão as águas, ou seja, serão outras situações; as “águas” que passaram se tornaram passado, dispersaram-se…

A partir do momento em que entramos também em outros rios, em outras águas, teremos novas “causas”, novos momentos, e não coisas repentinas.

Cada pessoa entra em um tipo de rio, cada pessoa tem seu caminho e “escolhe” o seu próprio rio. Há gente que entra no rio da ignorância, outros da ambição, resumindo, pessoas que têm a mente pequena e não pensam em sequer ser alguém na própria vida.

Como há muitos que entram em rios “que não terão importância alguma (e sem retrocesso)”, há também aqueles mais preocupados em se tornarem “alguém”, com um futuro brilhante pela frente, que entram em rios propícios àqueles seus objetivos, renovando assim suas águas, pois nunca serão as mesmas, passando por dificuldades também, é claro, atingindo tudo o que sonharam, lá na frente, enfrentando barreiras!

G. W. F. Hegel, em seu texto da Filosofia do Direito – A sociedade Civil-Burguesa, parágrafo 197, “A formação teórica e prática pelo trabalho” – teria, com toda certeza, aproveitado a lição desta garota. Lá, o filósofo disse, no adendo: “O bárbaro é preguiçoso e diferencia-se do homem cultivado por ficar ruminando às tontas no seu embotamento, pois a formação prática consiste, precisamente, no hábito e no carecer de uma ocupação. O inábil produz sempre algo diferente do que ele quer, porque ele não é senhor do seu fazer, ao passo que pode ser chamado de hábil o trabalhador que produz a coisa como ela deve ser e que no seu fazer subjetivo não encontra nada de esquivo face ao fim.”2

Estamos, pois, diante de três obscuros: Heráclito, Hegel e Diandra (cujo nome tem um leve toque grego antigo – observem), minha aluna obscuramente singela.

postado por Ramiro Corrêa (02/09/2015)

  1. Kirk, G.S., Haven, J.E. e Schofield, M. Os filósofos pré-socráticos 4. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994, 544 p []
  2. Hegel, G.W.F. A sociedade civil-burguesa. Tradução de Marcos Lutz Müller. Campinas, UNICAMP, 1996 []

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