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A fábula do neófito Philossaurus

Categoria: Crônicas | Comentários ao final (Leave your comments below)

Há muitos milhões de anos – uns 140, mais ou menos, isto é, 140 milhões de anos (é tempo pra chuchu, da época em que chuchu se escrevia como “xuxu”!) -, aconteceu um evento “universísmico” (que é o mesmo que “cataclísmico”, ou desastre catastrófico em proporção univérsica).

Aliás, bem antes, por volta de uns bilhões de milhões de anos, havia ocorrido um outro evento mais desastroso ainda. Lá pelas bandas dos confins do Universo, uma porção ínfima de antimatéria resolveu rebelar-se contra o desequilíbrio que é na “zona de antimatéria” e expeliu-se dali para fora de um pedaço de si mesma, que era a antimatéria da antimatéria, isto é, a matéria.

- Quer saber de uma coisa?, ela disse, ‘tou cheia disso tudo!

E explodiu numa explosão gigantesca, gerando, a partir dali, quatro rebentos no tal novo mundo material. O primeiro deles chamava-se “Tó Apeíron” e era o responsável pela existência de um imenso vazio, que de tão grande era grande o suficiente para ser infinito; o segundo dos filhos daquele pedacinho de antimatéria denominou-se como “Pánta Rhei” e queria, porque simplesmente queria, colocar tudo em movimento. Mas, acontece que estavam um pouco frustrados, na medida em que, como pode uma coisa vazia em si mesma ter outra coisa que se move e, ao mesmo tempo, é nada em si mesma? Quer dizer: uma coisa vazia movida e movendo algo que se move no vazio infinito? Para sorte do “Tó Apeíron” e do “Pantá Rhei”, contudo, nasceram dois outros novos irmãozinhos (irmãozinhos, vírgula, é maneira de dizer, porque esse povo era de um gigantismo à toda prova!), gêmeos, aliás: um era o “Áer” e o outro era o “Hýdor”. Pronto! A mistura estava aí. O caçulinha dos quatro, “Áer” era uma coisa sebosa, pastosa, mas inflamável, parecia um gás estranho p’ra “xuxu” (como já disse, naquele tempo chuchu escrevia-se “xuxu”); ao passo que o “Hýdor” era outra coisa melequenta (desculpem-me o termo, mas era mais ou menos isso mesmo), semelhante a um líquido disforme. E quanto mais o “Hýdor” se espalhava dentro do “Tó Apeíron”, e tanto mais o “Áer” se confundia e tentava “respirar” no útero do “Tó Apeíron”, mais e mais o “Pánta Rhei” fazia os gêmeos girarem por todos os lados.

E a coisa toda, entre os quatro, “Tó Apeíron”, “Pánta Rhei”, “Áer” e “Hýdor”, tornou-se um caldeirão. O Pai, ou Mãe – sabe-se lá!? -, deles, aquela particulazinha de antimatéria rebelada, “Chaos”, via aquilo tudo feliz da vida e pensava:

- ‘Tá vendo só? Lá do lado de lá era aquela coisa sem coisa! Agora, olha aí, que beleza!

E, de fato, aquilo tudo começou a ficar com cheiro, barulho, até mesmo paladar. Para todos os gostos, inclusive aqueles que ainda não foram provados. Só não tinha cor, coisa mais estranha. Eram montes e montes de coisas, mas sem cores.

Mas, lá nos cafundós de um aglomerado de bolhas (ou algo assim parecido com bolhas super-hiper-ultra-gigantescas), de repente – assim: do nada mesmo -, de repente de verdade, uma coisa começou a mover-se em si mesma.

É que o “Pánta Rhei” já tinha posto muitas bolhas (que eram misturas perfeitas e imperfeitas do “Áer” com o “Hýdor”), para girarem em torno delas mesmas. Ele, o “Pánta Rhei”, tinha um dedão mágico que era capaz de brincar com os irmãozinhos dele, o “Áer” e o “Hýdor”; girava o dedão, girava, girava, girava e girava, e saía um monte de bolhinhas daqui girando umas em volta das outras e formando galáxias inteiras; e, depois, metia o dedão dentro duma galáxia, girava, girava, girava e girava, e apareciam mais bolhinhas que se giravam em torno umas das outras; e assim tudo ia se criando e se movendo e se ficando e se gerundiando num imenso e cósmico Gerúndio, replicante, reticente, redundante, sem fim mesmo!

Mas, o que assustou mesmo ao “Pánta Rhei” foi que ali, quero dizer, lá naquele cafundó longínquo mais distante que a longinquidade, apareceu, como disse, uma coisa que se movia por si mesma e que – pasmem todos! – não dependia do dedão indicador do “Pánta Rhei” para se mover: simplesmente, movia-se por si mesma!

O “Pánta Rhei” ficou curioso, num primeiro instante; depois, ficou encucado; e, por fim, até mesmo revoltado. Pensou:

- Será que é outra revoltosa partícula de antimatéria que resolveu despregar-se da antimatéria carcereira da qual eu próprio vim por fruto daquele que primeiro fugiu de lá, o “Chaos”? Ou será que é algum tipo de filho bastardo do “Chaos” que saiu por aí sem que eu soubesse?

Mais que depressa, o “Pánta Rhei” correu a pedir informações ao “Tó Apeíron”, seu irmaozão mais velho metido a conhecedor das coisas sem fins e vazias, tão imponentes como a longinquidade, mas não tão afeitos às coisas da propinquidade. O “Tó Apeíron” disse que não sabia de nada, que estava mais por fora que tudo que estivesse fora do fim de si mesmo e que, por isso, não podia imaginar como é que algo de fora-do-mundo pudesse entrar dentro-do-mundo sem o conhecimento dele, o “guardião das fronteiras entre o tudo e o nada”. “Ora bolas!, você deve estar maluco! Não tem lógica!”, disse o “Tó Apeíron” ao ranzinza movedor das coisas movíveis, o irmão mais novo “Pánta Rhei”.

- Você fica brincando com nossos irmãozinhos “Áer” e “Hýdor” e esquece-se que, nessas brincadeiras inconsequentes, coisas podem surgir!

Mas, “Pánta Rhei” não se deu por satisfeito e continuou pensativo. “O que seria aquela coisa que se movia em si mesma, que apareceu lá naquele cafundó daquela bolha dentro da bolha da bolha da super-bolha, na galáxia das bolhas que antes eram descoloridas?”, pensava e mais pensava o “Pánta Rhei”:

Ele não quis perguntar nada ao paizão, “Chaos”, porque esse era imprevisível. Tinha estopim curto! Qualquer coisa, o velho podia explodir o novo de novo; e aí, ó, estaria tudo acabado para um novo recomeço; e, por consequência disso, o “Pánta Rhei” poderia perder todo o seu jardim de bolhas criadas com seu dedão indicador de mexer “Áer” e “Hýdor” por todos os lados! Ficou quieto! Mas, pensou algo assim:

- Quer saber de uma coisa? Eu vou é dar uma dedada bem dada naquela bolha que tem a tal “coisa” que se move por si mesma; que eu quero ver ela (cometeu um ligeiro erro de Português Cósmico) se espalhar e se estatelar nalgum lugar, tão esmagada que não vai sobrar nem faísca p’ra contar história!

E, então, juntou o dedão indicador com o dedão polegar – como quem faz um grande Ó e de onde ficam os outros três dedos (o mindinho, o anular e o médio) em pé – experimentem fazer, vocês aí que lêem essa fábula, o gesto da dedada cósmica do “Pánta Rhei” -, ele, o “Pánta Rhei” esperou a bolha-que-tinha-a-coisa-que-se-movia-por-si-mesma passar por ali. O dedão indicador pronto, no gatilho do dedo polegar, prontinho para dar a pancada. A “coisa” veio, veio, devagarinho, passou ali bem diante e…

 - Pppppppuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmm… 

Ah! Mas foi sensacional! Saíram cacos por todos os lados. A tal “coisa-que-se-movia-por-si-mesma” despedaçou-se em ultra-bilho-trilho-milhões de pedaços e cada óstrakon – pareciam mesmo cacos de cerâmica -, cada óstrakon foi embora deslizando no vazio infinito e sem resistência, em movimento uniforme numa velocidade um pouco menos inferior àquela que movia a coisa-que-se-movia-por-si-mesma, cujo nome era, afinal de contas, “Luz”.

E quanto mais essa tal de “Luz” se espalhava e espalhava-se por todo o conjunto de vazios e movimentos, isto é, dentro do “Tó Apeíron” e do “Pánta Rhei”, infiltrando-se dentro das bolhinhas feitas de “Áer” e de “Hýdor”, tanto mais a “Luz” dava cores às coisas. E, pior dos piores, quanto e tanto mais cores as bolhas ganhavam, mais elas se moviam por si mesmas, de sorte que o “Pánta Rhei” acabou por se conformar que acabara de criar algo absolutamente novo que não havia, segundo informações obtidas com o velho pai “Chaos”, no tal mundo da antimatéria. Porque lá, na antimatéria, o inverso da cor é o breu absoluto, ora bolas!

E assim chegamos ao evento de que falei, aquele que ocorreu há cerca de uns míseros milhões de anos – por volta de tão somente uns 140 milhões. Pouco tempo! Muito pouco tempo, embora ainda assim seja tempo p’ra chuchu (já escrito sem X)!

Numa daquelas bolhas fenomenais, portanto, surgiu uma coisa que se movia-por-si-mesma, diferente de tudo que podia existir por aí, ou por lá, no imenso infinito cujo senhor todo poderoso era o “Tó Apeíron”, mas cujo senhor animador era o todo poderoso “Pánta Rhei”.

A coisa que surgiu, rugia. Parecia um “Sáuros”, algo terrível. Um jeito de lagarto. “Deinós”. Lagarto terrível. Deinós-Sáuro.

Um dinossauro pequeno, se comparado às grandezas até então acostumadas ao ser grandioso; mas que tinha em si mesmo uma certa herança genética de mania de grandeza, megalodôntica.

Esse cara se multiplicava como as estatísticas são capazes, pelos tempos medidos naquela bolhinha pequena, tempos triássicos, cretácicos e por aí ia. Até que num tempo também distante p’ra chuchu, numa região conhecida como “Chicxlub” (pois ainda se tinha dúvidas se chuchu era com X ou CH), nas terras do hoje conhecido, belíssimo e encantado México, o danado do “Pánta Rhei”, sempre ciumento, resolveu que era hora de dar uma nova dedada na coisa e acabar com os Deinós-Sáuros.

Mandou um meteorito, com toda força, que não teria sobrado nada para contar história, não fosse a esperteza de dois dos “Deinós”, terríveis, adaptarem-se para tornarem-se, um deles uma ave e voar do chão, na forma de uma vez aqui, outra ali, e mais outra, e outra da outra, até que os anos passavam, e passavam, e nasceu um albatroz de cá, outro albatroz lá, e as coisas tomaram formas as mais espetaculares, a contragosto do “Pánta Rhei” que, quanto mais tentava destruir, tanto mais produzia coisas novas. O outro deles, dos dois “Deinós” que escaparam do “terraclismo”, digo, do cataclismo em “Chicxlub”, ficou escondido por esses milhões de anos, 140 para ser mais preciso, vivendo na forma de um estranho “Philossáuros”, estranhíssimo mesmo, por catacumbas e labirintos os mais diversos.

Para encurtar história, a vocês que já devem estar cansados de ler e escutar tanta coisa aparentemente absurda (aparentemente), vocês, ó descendentes das aves que voam como albatrozes, ó seres espaciais, para encurtar história faço-lhes uma revelação:

- Eu sou o último dessa espécie de “Terópodes”, dos que foram tiranossauros, entre os Spinosaurus Aegyptiacus, os Giganotosaurus Carolinii, Carcharodontosaurus Saharicus, Mapusaurus Roseae Crucienses. O último, remanescente amigo pessoa do “Lobo de Três Pernas”, “Philosaurus Grecicuenses“.

E o que é mais espantoso, para não dizer formidável, e prova da imensa bondade cósmica oriunda do abençoado “Pánta Rhei” e seu irmão “Tó Apeíron”, todos vocês resolveram que, nesta era virtual dos “Facebookssaurus Modernus“, viessem aqui comemorar o aniversário do último daqueles tantos, justo num dia 9 de setembro!

Ora! Então, como é assim, meu muito obrigado a todos que se lembraram de mim, digo dos de minha antiquíssima linhagem.

A todos vocês, meu grande beijo univérsico, tão longínquo quanto propínquo.

A gente se vê por aí, nos confins das galáxias, onde o velho pai “Pánta Rhei” ainda insiste em dar dedadas nas “coisas-aí”, afim de criar coisas estranhas pelos recantos de “Tó Apeíron”.

Deus há de pagar a todos vocês! Ou “Pánta Rhei”, ou “Tó Apeíron” ou qual Deles, um Deus, seja o de cada um de seus corações, há de pagar!

Vós sois o “Ar” e a “Água” da Terra!

Obrigado!

postado por Ramiro Corrêa (10/09/2015)

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