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Trí-nãká trí-nĩtã

Categoria: Artigos | Comentários ao final (Leave your comments below)

Para meus amigos (alguns, inclusive professores lá pelas bandas de São Paulo, Brasília e Campinas), que se assustaram quando disse-lhes que estava “praticando” dança clássica indiana; isto é, devo dizer-lhes que não pratico, propriamente, mas que tento, desesperadamente, aprender o mínimo dos mínimos possíveis.

E perguntaram-me como, afinal, eu “danço isso”? “Isso”? Resposta simples: coloco os vídeos diante de mim e tento seguir as lições da Guru! Ora, essa!

Eis, então e novamente, a senhora Mohapatra (Guru Sujata Mohapatra) ensinando Odissi, uma das oito danças clássicas da Índia.

Veja a primeira parte de Dando os primeiros passos para dançar Odissi, com Sujata Mohapatra. Trata-se de um workshop: tenha calma, portanto! Como dizia Göethe, “na urgência, paciência”, ou como digo eu inspirado em Sri Sarvanãnda, “sem pressa, nem pausa”!

Workshop de Odissi, com Sujata Mohapatra (parte 1):

Agora, chegou a hora de tentarmos entender, se é que seja possível, o significado de “Trí-nãká trí-nĩtã“.

Veja, a seguir, no próximo vídeo, um trecho onde a dançarina de Odissi ensina o que me parece – daqui, de minha distância – algo como TRÍ-NÃKÁ TRÍ-NĨTÃna altura de 5 minutos e seguintes deste segundo vídeo (veja em tela cheia, se possível, e tente repetir – e dançar – o que a Guru sugere):

Workshop de Odissi, com Sujata Mohapatra (parte 2):


Parece que, em Sãnscrito, a expressão “trí-nãká” refere-se a divá. Isto é o mesmo que estar no paraíso (in heaven) ou no céu (in the sky), todos os dias (day by day), diariamente (daily), ou indo ou levando ao paraíso alguma coisa (going or leading to heaven). Mas, também, há o sentido de “trí-nata”, que se refere a “como se se estivesse curvado em três lugares” (bent in 3 places).

Não são duas belas ideias? Ir ao paraíso e curvar-se em reverência? Mais ainda, de três modos!

Mas que três modos são estes?

Parece que “trí-nĩtã”, em Sãnscrito, pode ser traduzido como algo assim: a esposa que é três vezes casada (thrice married).

Casada com “Soma”, com “Gandharva” e com “Agni”.

A primeira impressão que se tem, para nós ocidentais que estudamos muito pouco, Soma parece ser aquela partícula de origem grega que se refere a “corpo”. Soma = corpo. Será mesmo?

Soma (em Sãnscrito) aponta para um ritual, de grande importância, de certa bebida Védica. Há 114 hinos no livro sagrado – Rig Veda -, sobre a glorificação das qualidades de energização de tal rito. Este rito é comumente descrito como um preparado extraído do suco dos talos de certa fruta, desde os primórdios do Hinduísmo – e, também, do longínquo Zoroastrismo -, que, ao final, personalizava uma divindade. Há muita especulação, no ocidente, sobre que planta seria essa, mas não há consenso.

Seja como for, o sentido de “Soma”, lá, só pode ser aproximado ao sentido de “Soma”, cá entre os herdeiros dos gregos, com algum esforço; embora não seja algo complexo: do rito de uma bebida para glorificação de certas qualidades de energização, para o sentido de corpo humano.

Beber o “Soma” seria algo como beber o “elixir da imortalidade”. Isto está descrito no Rigveda (8.48).

Casada com “Soma”… e com “Gandharva”.

No Hinduísmo, os “Gandharvas” são espíritos masculinos da natureza, com partes animais, normalmente representadas por pássaros ou cavalos. Alguém mais afeito à mitologia grega, aqui, logo imaginará o Centauro! Estes espíritos – Gandharvas – são os guardiões do “Soma”!

Fantástico, não?!

Mas, há mais dois pormenores:

Primeiro: são espíritos – os Gandharvas – capazes de compor belíssimas músicas para os deuses em seus palácios. Na verdade, são os “cantores nas cortes dos Deuses”.

Segundo: são espíritos casados com uma “Apsara”.

pai.jpg

(clique na imagem para expandir – Apsara à esquerda e Gandharva à direita)

Por sua vez, Apsara é um espírito feminino que representa as nuvens e as águas (na mitologia hindu e budista). Também conhecida como “Vidhya Dhari”, é o mesmo que, na mitologia grega, uma ninfa; aliás, uma “ninfa celestial”, ou a donzela celestial. No hinduísmo, as “Apsaras” são belíssimas, além de serem, naturalmente, seres sobrenaturais. Naturalmente sobrenaturais! Elas são joviais e elegantes e, sobretudo, soberbas na arte de dançar.

Guarde bem isto, leitor (repetindo-me): Apsaras são sobrenaturais, belíssimas, joviais, elegantes e soberbas na arte de dançar. Elas são esposas dos Gandharvas, dançam as músicas compostas por estes nos palácios dos deuses, entretêm e seduzem deuses e os pobres mortais.

pai.jpg

(clique na imagem para expandir – Apsara)

Como são etéreas, por habitarem o paraíso, podem ser comparadas a anjos; mas, suas performances, muitas vezes, induzem-nos aos ritos de fertilidade.

Casada com “Soma”, com “Gandharva” e… com “Agni”.

Agni é uma divindade do fogo, simbolizando aquele que transporta os sacrifícios para os deuses. Representa o conhecimento divino, que conduz o homem aos deuses.

O leitor pode, imediatamente, pensar, aqui, no mito grego de Prometeu.

“Agni” (do Sãnscrito) pode ser relacionado com “Ignis” (no Latim), de ignição, de fogo! Os especialistas dizem que a palavra deriva dos verbos “ir” (to go), brilhar (to shine) e queimar (to burn), ou “aquele que conduz a chama que brilha e queima”.

O líder que segue à frente disseminando o conhecimento e os princípios do pensamento.

pai.jpg

(clique na imagem para expandir – Agni)

Assim, temos o título deste post: Trí-nãká trí-nĩtã.

Será assim mesmo? Que os especialistas, por favor, nos ajudem e nos corrijam, encarecidamente, enquanto ainda estudamos com muita dificuldade!


Agora o leitor pode, parece-me, ver o vídeo completo da Guru Sujata Mohapatra. Logo na introdução, identificará aquelas duas primeiras lições dos vídeos acima, especialmente a parte relativa a Soma, Gandharva e Agni. Repita (again and again) para, talvez, compreender um pouco mais, muito pouco, sobre alguns significados que a dançarina (Mahari) de Odissi oferece-nos: os modos de caminhar, os gestos e, sobretudo, principalmente, os olhares e os sorrisos.

Odissi Mangalacharan’ – Sujata Mohapatra

Não é fantástico?

Mangalacharan, afinal, é um “mantra” (um cântico, digamos assim), com o objetivo de “afastar as nuvens das dúvidas e pedir orientação e proteção para, de certo modo, lavar o passado, limpar o presente e preparar o futuro.

Meus agradecimentos, por enquanto, à Guru Sujata Mohapatra!

postado por Ramiro Corrêa (12/12/2015)

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