Você já experimentou dizer certas palavras, até com alguma convicção? Experimente estas: Sempre e nunca!
Pense nelas e no quanto são inúteis.
Afinal de contas, o que você entende por sempre, de sempre, ou por nunca, de nunca? Quem de nós é capaz de discorrer, tranquilamente, sobre uma delas?
Nunca mais! Para sempre!
Um nunca mais é para sempre? Você dirá: a morte, sim! Será?
Observe: do nunca mais, mais importante que o nunca é o mais! Mas, mais o que? Mais vida? Mais amor? Mais saúde? Mais? O segredo está em que o mais esconde o sujeito sempre oculto.
Veja com cuidado: do para sempre, mais importante que o sempre é o para! Para o que? Quem? Para onde será o sempre?
Vivemos em busca do mais… para…
E por traz de cada nunca e cada sempre, há sempre um mais e nunca um para.
Os mais ávidos diriam que o primeiro é a eternidade positiva e o segundo a negativa. Mas o que nega não é o nunca e sim o sempre; e o que afirma não é o sempre, ao contrário do nunca.
O nunca poderia ser a eternidade presente no jamais, do não ser nem mesmo algo pouco além do nada. O sempre é seu oposto: trata da nulidade do jamais.
A cosmoplenitude versus a egovacuidade fazem o jogo da cosmoegoidade, uma palavra dos infernos de ininteligível - assim mesmo -, que se vacuidade plena. Um vazio eterno a ser preenchido de vícios ou virtudes.
Para ser bem simples, alguém pode até dizer “te amo como sempre e nunca amei”. A tradução desta sentença, por exemplo, diz apenas que o amor é sempre um crescer de nunca ser como antes. E esta infinidade de nuncas, a cada instante diferenciando o momento anterior, dá a tônica do amor: algo que nunca será suficiente, aquilo que sempre será buscado, e mais, para além de qualquer medida mesmo aquela que não se mede por ser infinita.
O amor é, sempre, um nunca como antes; mais, o amor é um nunca, sempre; mais ainda, o amor nunca é como sempre.
Não foi a troco de qualquer coisa que o grego antigo não imaginou uma deidade para amor. Cuidado! Não se precipite em citar Afrodite, Eros, Dioníso, Athena, Apolo ou outra sempre nunca Olimpiano.
Não confunda sensualidade, sexualidade, sabedoria, prudência, luz, razão, paixão e a soma de todas elas com amor.
Amor é algo onde o todo é muito, infinitamente, maior que a soma das partes. E, até, talvez, bem menor. Sendo assim, como veríamos se pudéssemos, nem tanto o mais, da quantidade, muito menos o para, da espacialidade, determinam seja o que for de um nunca ou de um sempre.
E tanto, que nem mesmo a eternidade dele dá notícias. Eis a única coisa - se é que coisa possa ser - que supera o eterno: o amor.
E ai de quem não entende esse mais nunca para sempre.
postado por Ramiro Corrêa (09/03/2010)
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