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	<title>Psicanálise Filosofix</title>
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	<description>Saúde Preventiva e Terapêutica</description>
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		<title>Jesus, Freud e Lacan (e Jung observando)</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 17:35:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao contrário do que possa parecer, neste estilo que nem estilo é, isto não é uma crônica, mas um artigo. Nem se parece com algum diálogo de Platão, naquele modelo em que das conversas se extraem teorias: agora faço algo semelhante, porém, de impacto incerto. Lembra-te do único mandamento do Cristo? - &#8220;Ama o próximo como a ti mesmo!&#8221; Pois é justamente neste &#8220;como a ti mesmo&#8221; que se encontra<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=252">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao contrário do que possa parecer, neste estilo que nem estilo é, isto não é uma crônica, mas um artigo. Nem se parece com algum diálogo de Platão, naquele modelo em que das conversas se extraem teorias: agora faço algo semelhante, porém, de impacto incerto.</p>
<p>Lembra-te do único mandamento do Cristo?</p>
<p>- &#8220;Ama o próximo como a ti mesmo!&#8221;</p>
<p>Pois é justamente neste &#8220;como a ti mesmo&#8221; que se encontra o <em>para além de toda a psicanálise.</em></p>
<p>Ontem, à noite (dia 31 de julho), estacionei numa praça onde há inúmeros vendedores de lanches, churros, pipocas, algodões doces e outras guloseimas. À minha direita, um pequeno parque, com gangorras, balanços, escorregadores, para crianças brincarem; e bancos, naturalmente, para pais baterem papos e vigiarem filhos à certa distância. À minha esquerda, uma estação rodoviária. Acima de mim, um céu tomado pela Via Láctea. Dentro do automóvel, um cd com músicas de Reiki, e nós dois, lado a lado, comendo cachorro-quente, minha amiga (e filha) Marina e eu.</p>
<p>Você diria: momentos de paz?</p>
<p>Além do mais, Navegante, nota que misturo tratamentos: para mim, &#8220;você&#8221; e você são segunda pessoa do singular, apesar de a gramática insistir no contrário.</p>
<p>Alguém, ao contrário de todos os contrários, também poderia dizer: isto não é paz, mas uma representação simbólica do túmulo de Immanuel Kant!, quando este sugeriu seu epitáfio &#8211; &#8220;um céu estrelado acima de mim, um mundo moral dentro de mim&#8221;.</p>
<p>E é exatamente esta a questão: tratava-se de um túmulo ou de paraíso idílico? </p>
<p>Abri a discussão com minha &#8220;amiga&#8221; e após alguns minutos de explicações acerca de &#8220;minha&#8221; psicanálise, ela (a amiga) disse-me assim:</p>
<p>- Você não pode por isto no Filosofix; teu blog, me desculpe, é seguido por pessoas com problemas existenciais sérios, iguais aos teus! E você corre o risco de desestruturar muita gente! Não pode! Mas não pode mesmo!</p>
<p>- Você &#8216;tá maluca! Onde já se viu isso? Tenho lá um amigo que é pós-doc em química; leciona numa federal no estado de São Paulo! Tem lá pessoas que nem entendo como vieram a seguir o blog, tamanha a sensibilidade pelo que eu observo! Você só pode estar doida varrida em dizer isso!</p>
<p>- Então, seja doido, inconsequente, e diga o que me disse! Ué! &#8220;Lavo minhas mãos&#8221;!</p>
<p>E descobri, além do mais, que Pilatos deixou seguidores&#8230;</p>
<p>Mas, minha &#8220;analista&#8221;, minha amiga (e filha), não deixa por menos; e assim torno-te, Navegante, por alguns momentos, meu ouvinte como &#8220;analista&#8221; &#8211; tu ou eu!</p>
<p>Eis a cena repleta de contradições &#8211; e símbolos: com as mãos ocupadas comendo cachorro-quente, com os ouvidos tomados por música de Reiki, na poltrona ao lado um ouvinte, o parque com crianças e pais, a rodoviária, e o céu estrelado. Um grande útero.</p>
<p>O convite para sair ao encalço do nada, do &#8220;desconhecido conhecido&#8221;, está simbolizado na rodoviária, ou no automóvel, ou no céu noturno.</p>
<p>Mas o aconchego e a proteção uterina, do &#8220;conhecido desconhecido&#8221;, está simbolizado no local à direita e dentro do automóvel.</p>
<p><strong>Wo es war, Soll Ich werden &#8211; onde eu estava, eu deveria ser.</strong></p>
<p>O que nos move no rumo do desconhecido?</p>
<p>Nota, Navegante, que o desconhecido tem dois destinos idênticos.</p>
<p>E, apesar de todas as descobertas de Lacan (acrescentadas às de Freud), acerca do complexo edípico e narcísico, do &#8220;JE&#8221;, e sobretudo da transmissão do cetro, do FALO, na metáfora do nome-do-pai, onde Lacan mostra que:</p>
<div class=noticia1>
<h4>O nome-do-pai</h4>
<p>Nos estágios do Édipo, a) a Lei do Pai nomeia e o pai priva a criança, forçando-a a renunciar ser o desejo da mãe; b) em seguida, a mãe faz eco (quero refrisar sem a menor sombra de dúvidas e invocar a ninfa Eco aqui!), transformando-se em porta-voz da Lei do Pai, e força o filho a desejar não ser, mas ter o falo; c) daí, simboliza a lei, o processo edípico tende ao declínio e ela (a criança) é confrontada com a castração, a necessidade de transformar o pai real em pai simbólico; d) surge o momento crucial, em que se deve assumir a castração no sentido de aspirar ao próprio falo, isto é, poder também transmitir a Lei, tronando e tornando (sem trocadilhos) o pai naquele ser que tem poder transitório – o filho nomeado pelo pai, o pai pelo avô, e sucessivamente; e e) a terceira etapa do Édipo, quando a criança, que recebeu a significação, ingressa na “dialética da negociação”, de “ter”, e o homem torna-se o varão (ter) e a mulher torna-se a mãe (não-ter, como foi o caso da ninfa Eco).</p>
<p>Eis a metáfora do nome-do-pai.</p>
</div>
<p>Apesar de tudo isso&#8230;</p>
<p>Ainda resta o problema: por que a busca do &#8220;desconhecido&#8221;? A mera resposta de uma continuidade da &#8220;lei do nome-do-pai&#8221; é uma solução (?) <em>muito simples</em> (?) para uma questão muito complexa.</p>
<p>Se, para sair na direção das estrelas, preciso de todo um aparato tecnológico, entre naves, foguetes, computadores, engenharias todas; se, para sair na direção dos úteros, preciso de todo outro aparato tecnológico, entre bisturis, microscópios, químicas e biologias todas; então, não é também a &#8220;ciência&#8221; uma forma de paranóia?</p>
<p>Ao dizer isto, encontrei uma reação veemente de minha amiga de dezoito anos (e de muito bom senso):</p>
<p>- Você é maluco! Agora vai me dizer que a busca do conhecimento é, também, uma espécie de niilismo nietzscheano? Que todo mundo que faz tecnologia e ciência busca, apenas e tão somente, vontade de poder, vontade de saber, desejo de superar a morte e vingar-se de Deus que nos condenou à morte? Você também é Zaratustra buscando seguidores? Você quer que eu não estude medicina, é isso?, disse-me ela.</p>
<p>- Não, querida! &#8220;Para todos e para ninguém&#8221;! Vocês todos são niilistas, sim! Mas eu não sou nietzscheano&#8230; tenho minhas rusgas com ele&#8230; e posso te explicar&#8230;</p>
<p>- Então, explica! Mas não põe isso no Filosofix, que você vai se queimar!</p>
<p>- Explico sim!</p>
<p>Toma a sentença, o único Mandamento de Jesus:</p>
<p>- &#8220;Ama o próximo&#8230; como a ti mesmo!&#8221;</p>
<p>Observa, visto sob este ângulo da &#8220;minha psicanálise&#8221; (só minha), como não é possível livrar-me do problema de <strong>onde eu estava, eu deveria ser (Wo es war, Soll Ich werden</strong>), se há uma incontrolável questão a superar, sem o que não me torno livre; e se, ao mesmo tempo, cada um passa por situações distintas, infinitas, onde o &#8220;Édipo&#8221; se manifesta desta ou daquela forma; e se, portanto, a psicanálise não pode dar conta de todas as circunstâncias infinitas nas infinitas vidas; e se o &#8220;Narciso&#8221; é o causador de todos os psicodramas; então, fica claríssimo o Mandamento que diz: se&#8230; &#8220;como a ti mesmo&#8221;&#8230;, então&#8230; &#8220;ama o próximo&#8221;&#8230; &#8220;como a ti mesmo&#8221;.</p>
<p>O que estou afirmando é que Jesus foi além de toda a psicanálise.</p>
<p>Aliás, é bom frisar, que Luiz Roberto MONZANI toca nesta questão, em meu modo de ver brilhantemente, quando traz à tona o artigo de 1936 de L Binswanger:</p>
<div class=noticia1>
<h4>A concepção freudiana do homem à luz da antropologia</h4>
<p>Onde afirma:</p>
<p>Em oposição diametral à tradição milenar da essência do homem como <em>homo aeternus</em> ou <em>homo caelistis</em>, como homem histórica &#8216;geral&#8217; ou <em>homo universalis</em>, e em igual oposição à concepção modernas ontológico-antropológica do homem como existência &#8216;histórica&#8217;, no sentido pregnante do termo, vocês sabem, da ideia científica do <em>homo natura</em>, do homem como criatura natural.</p>
<p>[…]</p>
<p>… ele (Freud) sempre viu no mal o necessário princípio de ser do bem, na vontade de destruição das tendências &#8216;sádicas&#8217; do homem, o princípio de ser da bondade, da benignidade e da cultura; no ódio, o princípio de ser do amor; na hostilidade, o princípio de ser da alegria. Sua doutrina, no entanto, não permite inverter essa relação.</p>
<p>(ver MONZANI, Luiz Roberto. <em>FREUD, o movimento de um pensamento</em>. 2 ed. Campinas, UNICAMP, 1989, p. 62-63)</p>
</div>
<p>É dizer: a seguirmos as posições de Monzani, de Binswanger, de Freud, de Lacan, e minhas também, tanto Freud, quanto Lacan, quanto JESUS, apontavam para uma única religião:</p>
<p>- A Religião do AMOR!</p>
<p>Da benignidade, da bondade, da cultura, da alegria, do bem&#8230; do AMOR.</p>
<p>- &#8220;Ama o próximo&#8230; COMO A TI MESMO&#8221;!</p>
<p>É um Mandamento complicado; difícil de ser seguido; mas libertador, libertante, libertário, liberador&#8230; e nada libertino!</p>
<p>E olha que já li artigos de uma malevolência tal, que chegam a afirmar que Freud era ateu! Que Freud combateu a &#8220;idiotice&#8221; teológica!</p>
<p>E eis o único &#8211; repito: único &#8211; Mandamento de Jesus:</p>
<p>- Ama o próximo&#8230; como a ti mesmo!</p>
<p>Tu, Narciso, pelo menos podes salvar tua busca pelo &#8220;desconhecido&#8221;, como Édipo e Antígona fizeram, Narciso, fazendo da &#8220;busca&#8221; um amar o próximo como a ti mesmo. Por isto, deve-se ser um tanto junguiano&#8230; (provocativamente).</p>
<p>O que nos leva, forçosamente, a pensar uma teoria do amor? Se assim fizermos, estaremos, novamente, caindo naquela cilada paranóica ou adotando esta ou aquela &#8220;doutrina&#8221;.</p>
<p><a class="thickbox" rel="" href='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/lacan_0.jpg' title=''><img src='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/thumbs/thumbs_lacan_0.jpg' alt='Lacan.jpg' class='ngg-singlepic ngg-left' /></a></p>
<p><a class="thickbox" rel="" href='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/freud.jpg' title=''><img src='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/thumbs/thumbs_freud.jpg' alt='Freud.jpg' class='ngg-singlepic ngg-left' /></a></p>
<p><a class="thickbox" rel="" href='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/jesus.jpg' title=''><img src='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/geral/thumbs/thumbs_jesus.jpg' alt='Lacan.jpg' class='ngg-singlepic ngg-center' /></a></p>
<p><center><font size=1>(clique para expandir)</font></center>&nbsp;</p>
<p>Eis que tu deves, Navegante, atentar, com muito cuidado, para o conteúdo simbólico desta canção:</p>
<p><center>[audio:joshua.mp3]</center></p>
<p><center><font size=1>(The Golden Gate Quartet &#8211; <em>Joshua Fit The Battle of Jericho</em>)</font></center>&nbsp;</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa no Blog Filosofix (01/08/2010)</p>
<p>Psicanálise Filosofix (17/01/2012)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Sobre o insuportável &#8220;memento mori&#8221;</title>
		<link>http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=223</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 17:56:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto a seguir é uma reflexão sobre a atuação precisa e necessária da Psicanálise, como alternativa mais que urgente para certos problemas em nossa sociedade. É comum entregarmos os destinos das pessoas nas mãos dos especialistas e nos esquecermos de algo que é fundamental: a pessoa é que deve saber quem é ela mesma. A este respeito, há uma passagem muito interessante posta na obra de Marcel GRANET &#8211;<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=223">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/wp-content/uploads/2011/12/dsc00093.jpg"><img src="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/wp-content/uploads/2011/12/dsc00093-150x150.jpg" alt="" title="dsc00093" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-224" /></a>O texto a seguir é uma reflexão sobre a atuação precisa e necessária da Psicanálise, como alternativa mais que urgente para certos problemas em nossa sociedade.</p>
<p>É comum entregarmos os destinos das pessoas nas mãos dos especialistas e nos esquecermos de algo que é fundamental: a pessoa é que deve saber quem é ela mesma.</p>
<p>A este respeito, há uma passagem muito interessante posta na obra de Marcel GRANET &#8211; <em>O Pensamento Chinês</em><sup><a href="#footnote-1-223" id="footnote-link-1-223" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="GRANET, Marcel. O Pensamento Chinês. Tradução de Vera Ribeiro. RJ, Contraponto Editora, 2002">1</a></sup>-, numa clássica discussão acerca de &#8220;As Receitas de Governo&#8221;, onde o autor comenta o estilo filosófico (e psicanalítico) dos sábios chineses, da seguinte forma:</p>
<div class=noticia1>
<h4>Seitas e Escolas, p. 275</h4>
<p>O problema dos julgamentos individuais e das relações do EU (wo) com o TU (zi), combinadas com as do ISTO (tseu) com o AQUILO (bei), preocupou os Dialéticos. Zhuangzi, observando peixes que se agitavam de um lado para outro, exclamou: &#8220;Eis o prazer dos peixes!&#8221; &#8220;O senhor não é peixe&#8221;, disse Huei zi, &#8220;como sabe o que constitui o prazer de um peixe?&#8221; &#8220;O senhor não é eu&#8221;, retrucou Zhuangzi, &#8220;como sabe que não sei o que constitui o prazer de um peixe?&#8221; &#8220;Não sou o senhor e certamente não (posso) conhecê-lo, mas também é certo que o senhor não é peixe, e tudo isso contribui para provar que o senhor não pode saber o que constitui o prazer de um peixe.&#8221; Os sofistas professavam um subjetivismo total: dedicavam-se a destruir ideias aceitas.</p>
</div>
<p>Isto mostra que não é sempre que alguém pode se ARVORAR a dizer quem é o outro, apenas baseado em manuais ou no que parece ser &#8220;normal&#8221; na vida.</p>
<p>É por isto que a clínica psicanalítica, em profundidade, pode contribuir muito para a construção do sujeito e para o conhecimento que ele precisa ter de si mesmo, sem o que ele se perderá.</p>
<p>Isto leva tempo, paciência e uma elevada dose de prazer, a descoberta de si mesmo. A Psicanálise está aqui para isto!</p>
<p>Então, o texto a seguir dá-nos uma boa mostra do tema.</p>
<hr />
<p>Sabem de uma coisa? Acho que é hora de rever esta posição exposta por Paul Ricoeur em <em>O justo</em>. Diz ele que &#8220;a sociedade gostaria de ignorar, esconder, eliminar seus deficientes. Por que? Porque eles constituem uma ameaça surda, uma lembrança inquietante da fragilidade, da precariedade, da mortalidade. Constituem um insuportável <em>memento mori</em>. Ocultam-se os desviantes patológicos, assim como se ocultam os desviantes sentenciados. Medicalizados e sentenciados, eis o que são os desviantes sob todos os aspectos. O que está fundamentalmente ameaçado pelo espetáculo do desvio é a mesma insolência da vida, ratificada e consolidada em confiança e segurança pelo sucesso social. Inferioridade e depreciação são socialmente normatizados.&#8221; <sup><a href="#footnote-2-223" id="footnote-link-2-223" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="RICOEUR, Paul. O Justo. Trad. de Ivone C. Benedetti. Vol II. SP: Martins Fontes, 2008. p. 215">2</a></sup></p>
<p>Ricoeur trata, como pano de fundo, da intervenção psiquiátrica para mediar essa possibilidade sempre presente da exclusão social. &#8220;O que vale em geral para qualquer doença se aplica particularmente ao desvio psiquiátrico.&#8221; (idem, p. 217). Ricoeur lembra Michel FOUCAULT em seus textos sobre a <em> História da Loucura</em> e a <em>História da prisão</em>; embora ainda haja uma enorme confusão, no plano do subconsciente, entre tratamento e punição, diz ele. É que, para Ricoeur (e Foucault), o &#8220;louco&#8221; continua &#8220;assustando&#8221;.</p>
<p>Acho bom, portanto, citar letra por letra, a conclusão de Ricoeur:</p>
<div class=noticia1>
<h4>(idem, p. 218)</h4>
<p>O que aqui está em jogo é o reconhecimento de si mesmo em termos de identidade pessoal. Na verdade, esta última é objeto de uma busca indefinida, &#8216;interminável&#8217;, como diz Freud acerca de certos casos psicanalíticos. Precisaríamos falar desde já de identificação, e não de identidade ou mesmo, como faz Peter Homans em sua <em>The Ability to Mourn</em>, de &#8216;individuação&#8217; e &#8216;reapropriação&#8217;. </p>
</div>
<p>Noutras palavras, &#8220;lembra-te homem que morrerás um dia&#8221;. Este <em>memento mori</em> não é outro senão o Conhece-te a Ti Mesmo.</p>
<p>Retire-se isto, esta possibilidade, do sujeito e o espaço fica aberto para as atrocidades, da corrupção à chacina, do genocídio à loucura.</p>
<p>Já ouvi, um sem número de vezes, que a psicanálise é &#8220;muito profunda&#8221; e invasiva; aliás, já ouvi me dizerem que &#8220;essa <em>coisa</em> não é para mim&#8221;. O <em>memento mori</em> é tratado, via de regra, como &#8220;coisa&#8221;. Mas, cá entre nós, ou isto faz o sujeito em si mesmo, ou vai viver a vida a passeio, que dá no mesmo que expulsar para fora dos muros da sociedade os insanos, como um avestruz meteria a cabeça num buraco para nada ver. Quem procura uma explicação para a crescente violência, deveria investigar mais sobre o Bobo da Corte:</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/jester.jpg" alt="The Court Jester at Blog Filosofix" /></center></p>
<p><center><strong>&#8220;Sou mais santo que tu, Majestade!&#8221;</strong></center>&nbsp;</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa (12/04/2011)</p>
<hr />
<p>postado no Psicanálise Filosofix por Ramiro (05/12/2011)</p>
<ol start="1" class="footnotes"><li id="footnote-1-223" class="footnote">GRANET, Marcel. <em>O Pensamento Chinês</em>. Tradução de Vera Ribeiro. RJ, Contraponto Editora, 2002 [<a href="#footnote-link-1-223" class="footnote-link footnote-back-link">&#8617;</a>]</li><li id="footnote-2-223" class="footnote">RICOEUR, Paul. <em>O Justo</em>. Trad. de Ivone C. Benedetti. Vol II. SP: Martins Fontes, 2008. p. 215 [<a href="#footnote-link-2-223" class="footnote-link footnote-back-link">&#8617;</a>]</li></ol>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Sobre Jung e a Política</title>
		<link>http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=68</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 15:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, na região da Turgóvia onde há um &#8220;lindo&#8221; lago (Bodensee &#8211; o nome aponta para beleza), a 26 de julho de 1875; e faleceu em Küsnacht a 6 de junho de 1961. Era Suíço, portanto, de nascimento e morte. (Bodensee &#8211; Suíça)&#160; (Jung: 26/7/1875 &#8211; 6/6/1961)&#160; (Zürichsee &#8211; Suíça)&#160; Não sei se o Navegante confessaria um desejo de nascer em torno duma destas paisagens<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=68">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, na região da Turgóvia onde há um &#8220;lindo&#8221; lago (Bodensee &#8211; o nome aponta para beleza), a 26 de julho de 1875; e faleceu em Küsnacht a 6 de junho de 1961. Era Suíço, portanto, de nascimento e morte.</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/bodensee1.jpg" alt="Bodensee - Suíca - at Blog Filosofix" /></center></p>
<p><center>(Bodensee &#8211; Suíça)</center>&nbsp;</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/jung.jpg" alt="Jung at Blog Filosofix" /></center></p>
<p><center>(Jung: 26/7/1875 &#8211; 6/6/1961)</center>&nbsp;</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/zurichsee.jpg" alt="Zurichsee - Suíca - at Blog Filosofix" /></center></p>
<p><center>(Zürichsee &#8211; Suíça)</center>&nbsp;</p>
<p>Não sei se o Navegante confessaria um desejo de nascer em torno duma destas paisagens e morrer noutra; eu confesso que não seria nada mal. E estes são, afinal de contas, lugares perfeitos para abrigar o surgimento de uma psicologia analítica porque contêm &#8220;água&#8221; que espelha &#8220;montanhas&#8221;. E já dizia Jung, entre áspas, textualmente:</p>
<div class=noticia1>
<h4>JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (par. 40) <sup><a href="#footnote-1-68" id="footnote-link-1-68" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 6 ed. Trad Maria Luiza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Petrópolis, Vozes, 2008">1</a></sup></h4>
<p>A água é o símbolo mais comum do inconsciente. O lago no vale é o inconsciente que, de certo modo, fica abaixo da consciência, razão pela qual muitas vezes é chamado de &#8216;subconsciente&#8217;, não raro com uma conotação pejorativa de uma consciência inferior. A água é o &#8216;espírito do vale&#8217;, o dragão aquático do Tao, cuja natureza se assemelha à água &#8211; um yang incluído no yin. Psicologicamente a água significa o espírito que se tornou inconsciente.</p>
</div>
<p>Esta água, que seguramente esteve também no inconsciente de Jung, está representada nos lagos de onde &#8220;nasceu&#8221; &#8211; às margens do Bodensee &#8211; e para onde retornou &#8211; às margens do Zürichsee -, sem a menor sombra de dúvidas.</p>
<p>Mas, para além daquilo que &#8220;fica abaixo da consciência&#8221; e, sobretudo, &#8220;com uma conotação pejorativa de uma consciência inferior&#8221; &#8211; e aqui vejo um duplo sentido neste &#8220;inferior&#8221; dito por Jung -, também houve quem, seriamente, o acusasse de simpatizar com o nazismo de Hitler, quando o psicopata e genocida chegou ao poder em 1933. Jung teria assumido a presidência da Sociedade Internacional de Psicoterapia onde um sobrinho do carrasco Hermann Göring &#8211; membro da escória de Adolf Hitler &#8211; era administrador.</p>
<p>Há, inclusive, um artigo de Carl Gustav Jung &#8211; <em>Sobre a situação atual da psicoterapia</em> &#8211; em que afirma ser o Judeu um nômade que não tem cultura própria e até um &#8220;povo anfitrião mais ou menos civilizado&#8221;. Isto é grave e merece considerações iniciais, porque tratar com gente que apoia o holocausto quando este ocorreu durante a Segunda Grande Guerra &#8211; ou ainda hoje, com aqueles que desejam ver o fim de Israel -, é tratar com alguma espécie de monstro insano.</p>
<p>A este respeito convém notar as imprecisões da afirmação: Ernest Harms tem um artigo no Jornal &#8220;<a href="http://www.springerlink.com/content/0033-2720"><em>Psychiatric Quarterly</em></a>&#8220;, cujo título é <em>Carl Gustav Jung &#8211; defender of Freud and the jews</em>, em que diz:</p>
<div class=noticia1>
<h4>Ernest Harms. <em>A chapter of european psychiatric history under the Nazi Yoke</em>.</h4>
<p>Although most of the attacks upon Jung&#8217;s name have come from fanatic followers of Freud, a correct evaluation of Jung&#8217;s rôle in the development of psychoanalysis is of greater importance for an objective understanding of the history of the &#8220;psychoanalytic movement&#8221; than that of any other person. This is particulary true if the historic perspective is continued beyond the point where Freud closed his own chronicle, that is up to the years when psychotherapy was threatened in Europe by the outbreak of the Nazi movement, or until about 1935.</p>
<p>Nossa livre tradução:</p>
<p>Embora a maior parte dos ataques sobre o nome de Jung venham de seguidores fanáticos de Freud, uma avaliação correta do modelo de Jung no desenvolvimento da psicanálise tem maior importância para um entendimento objetivo da história &#8216;do movimento psicanalítico&#8217;, que de qualquer outra pessoa. Isto é particularmente verdadeiro se a perspectiva histórica for continuada para além do ponto onde Freud fechou a sua própria crônica, que está à altura dos anos em que a psicoterapia foi ameaçada na Europa pela erupção do movimento Nazista, ou aproximadamente até 1935.</p>
<p>Nota: para ler mais, <em><a href="http://www.springerlink.com/content/g6l62182t455gu3k/">clique aqui&#8230;</a></em></p>
</div>
<p>Também, a este respeito da relação entre Jung, o nazismo e o povo judeu, há outro importantíssimo artigo de Joerg Rasche, da IAAP (<em>German Association for Analytical psychology</em>), onde se lê o seguinte:</p>
<div class=noticia1>
<h4>Joerg Rasche. <em>TRYING TO UNDERSTAND AND EXCUSING IS NOT THE SAME</em>.</h4>
<p>Dear colleagues,</p>
<p>I feel honoured to have the chance to speak to you about the history of C. G. Jung and the Jungians in the thirties. It is an honour, and at the same time it means a painful re-encounter with the worst period of the history of my country, of my parents, of my profession. And it is an encounter with you from the IPA who as I suppose don’t know so much about Jungian Analysis in general and are very critical about Jung’s known or supposed behaviour in the Nazi time and<br />
during the incredible outburst of barbarianism. Some of you may be in Berlin for the first time after the war or after the end of the totalitarian eastern system. Some of you may belong to the second or third generation after the holocaust. In many psychoanalytic trainings the memory of persecution, of emigration, of loss, of disappointment are still alive even after generations, passed on from one generation to the other.</p>
<p>[...]</p>
<p>Speaking to you as a German and a Jungian Analyst means speaking about my professional identity in the light and in the shadow of Jungian history in Germany. I want to make two preliminary remarks before I come to what happened in the 19thirties.</p>
<p>[...]</p>
<p>I want to talk about Jung and the Jungians in the 19thirties. The middle 19twenties had initially been a ver short time of recovery and stability in the Weimar Republic with its foreign minister, Stresemann, and of cultural modernity. But there was no stabile basis for democracy. The Hitler party, NSDAP, took political power in 1933, after a period of terror, supported by industry. Open war began in 1939. For us to read some of Jung’s utterances in the intervening<br />
years is shocking, disgusting and scandalising –and for me as a German shaming, even if Jung was not a German but a Swiss with a different mentality and in a totally different social and political situation.</p>
<p>But worse: As a Swiss citizen he had the chance to make different statements against the Nazis from the beginning.</p>
<p>Nossa livre tradução dos trechos acima:</p>
<p>Prezados Colegas,</p>
<p>Sinto-me honrado em ter a possibilidade de falar-lhes sobre a história de C. G. Jung e o Jungianos dos anos 30. É uma honra, e ao mesmo tempo significa um reencontro doloroso com o pior período da história de meu país, dos meus pais, da minha profissão. E é um encontro com vocês do IPA que, como suponho, não sabem tanto sobre a Análise Jungiana em geral e são muito críticos sobre o comportamento conhecido ou suposto acerca de Jung ao tempo do Nazismo e durante a irrupção incrível da barbárie. Alguns de vocês podem estar em Berlim pela primeira vez depois da guerra ou depois do fim do sistema oriental totalitário. Alguns de vocês podem pertencer à segunda ou terceira geração depois do holocausto. Em muitos treinamentos psicanalíticos a memória da perseguição, da emigração, da perda, da decepção estão ainda vivos até depois de gerações, transmitidas de uma geração a outra.</p>
<p>[...]</p>
<p>Falando a vocês como um alemão e um Analista Jungiano, penso falar de minha identidade profissional na luz e na sombra da história Jungiana na Alemanha. Quero fazer duas observações preliminares antes que eu venha ao que aconteceu em torno dos anos 1930.</p>
<p>[...]</p>
<p>Quero falar sobre Jung e o Jungianos em torno dos anos 1930.  Em meados dos anos 1920, inicialmente houve um curto intervalo de tempo de recuperação e estabilidade na República de Weimar, com o seu ministro das relações exteriores, Stresemann, e da modernidade cultural. Mas não houve nenhuma base estável da democracia. O partido Hitler, NSDAP, tomou o poder político em 1933, depois de um período do terror, apoiado pela indústria. A guerra aberta começou em 1939. Ao lermos algumas declarações de Jung sobre a intervenção naqueles anos, elas são chocantes, repugnantes e são escandalizadoras &#8211; e para mim, como alemão, envergonho-me, mesmo se Jung não fosse alemão, mas um suíço com uma mentalidade diferente e em uma situação social e política totalmente diferente. </p>
<p>Mas pior: Como um cidadão suíço ele teve a possibilidade de fazer afirmações diferentes contra os Nazistas ao começo.</p>
<p>Nota: para ler o artigo de Joerg Rasche, na íntegra, <a href="http://docs.google.com/viewer?a=v&#038;q=cache:MrH_vB3r4qgJ:internationalpsychoanalysis.net/wp-content/uploads/2008/02/raschepaper.pdf+jung+%22situation+of+psychotherapy%22+jewish&#038;hl=pt-BR&#038;gl=br&#038;pid=bl&#038;srcid=ADGEESjIsPgRPqybUREIDjczsONGwXjVGCMCqETSXCUQHMgMHMWRmu7bu2P7atNJEebL3s-GFWrn5qlQ0fa6nBPedBI_VwW-Y_cQmr5ppNC_Y1u3zMOQx8EhzK7tDBIQfaagZkPW3z-J&#038;sig=AHIEtbQtB0cbOQoJSnoH1AdhxRdpjnlteg">clique aqui</a>.</p>
</div>
<p>Mas, o artigo de Joerg Rasche merece ser lido até o seu final. Traz revelações importantíssimas que podem, ao fim e ao cabo, dirimir as dúvidas sobre a posição de Jung acerda do povo judeu.</p>
<p>De meu ponto de vista, Jung interpretou o nazismo de Hitler, até mesmo o socialismo, o comunismo e outros &#8220;ismos&#8221;, em geral como um fenômeno patológico de perda de identidade. A bem dizer, uma clara demonstração de irrupção do inconsciente coletivo.</p>
<p>Mas não quero levar muito adiante esta polêmica, senão agora, para apenas dar destaque e alguns matizes a uma passagem de <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>, no que diz respeito ao problema das grandes muralhas desse pensamento que abunda entre os fanáticos, mais polidamente tratados como &#8220;primitivos&#8221; por Jung.</p>
<p>Diz lá, Jung, o seguinte:</p>
<div class=noticia1>
<h4>JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (pars. 46 e ss) <sup><a href="#footnote-1-68" id="footnote-link-1-68" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 6 ed. Trad Maria Luiza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Petrópolis, Vozes, 2008">1</a></sup></h4>
<p>(46) O inconsciente coletivo é tudo, menos um sistema pessoal encapsulado, é objetividade ampla como o mundo e aberta ao mundo. Eu sou o objeto de todos os sujeitos, numa total inversão de minha consciência habitual, em que sempre sou sujeito que <em>tem</em> objetos. Lá eu estou na mais direta ligação com o mundo, de forma que facilmente esqueço quem sou na realidade. &#8216;Perdido em si mesmo&#8217; é uma boa expressão para caracterizar este estado. Este si-mesmo, porém, é o mundo, ou melhor, um mundo, se uma consciência pudesse vê-lo. Por isso, devemos saber quem somos.</p>
</div>
<p><em>Explicação:</em></p>
<p>Como na Filosofia do Espírito Objetivo, que é a sua Filosofia do Direito, Hegel mostra, no texto da <em>Sociedade Civil-Burguesa</em>, no parágrafo 185, que a &#8220;particularidade&#8221;, em sua expansão omnilateral para satisfação das carências, do capricho subjetivo e do arbítrio contingente, destrói a si mesma e seu conceito substancial e, mais, que a satisfação das carências, em última instância circunstancial, provoca &#8220;o espetáculo simultâneo da dissolução, da miséria e da corrupção física e moral comum a ambas&#8221;.</p>
<p>É dizer: Jung não está, em seu próprio parágrafo 46, replicando Hegel num texto do início do século XIX, quase cem anos antes de suas próprias palavras; Jung está reafirmando a filosofia de Hegel.</p>
<p>Mas, sigamos adiante:</p>
<div class=noticia1>
<h4>JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (par. 47)</h4>
<p>(47) Mal o inconsciente nos toca e já o somos, na medida em que nos tornamos inconscientes de nós mesmos. Este é o <em>perigo originário</em> (grifo meu) que o <em>homem primitivo</em> (grifo meu) conhece instintivamente, por ainda estar tão próximo deste pleroma <sup><a href="#footnote-2-68" id="footnote-link-2-68" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Indico a seguinte possibilidade de entendimento para PLEROMA: é uma &#8220;realidade suprema&#8221;, que deve ser absolutamente e necessariamente complexa, na qual a &#8220;a obra divina&#8221; trata de construir o homem. Em São Paulo e São João, revela-se o &#8220;misterioso Pleroma&#8221;, instante em que o Uno e o Múltiplo substanciais criados se encontram, sem riscos de confusão, na Totalidade que nada acrescenta à essência de Deus, mas que aponta para o &#8220;triunfo da generalização do ser">2</a></sup>, e que é objeto de seu pavor. Sua consciência ainda é insegura e se sustenta sobre pés vascilantes. Ele é ainda infantil, recém-saído das águas primordiais. Uma onda do inconsciente pode facilmente arrebatá-lo e ele se esquecer de quem era, fazendo coisas nas quais não se reconhece. Por isso, os primitivos temem os afetos (emoções) descontrolados, pois neles a consciência submerge com facilidade, dando espaço à possessão. Todo o esforço da humanidade concentrou-se por isso na consolidação da consciência. Os ritos serviam para esse fim, assim como as <em>représentations colletives</em>, os dogmas, eles eram <em>os muros construídos contra os perigos do inconsciente</em> (grifo meu), os <em>perils of the soul</em> (grifo de Jung). O rito primitivo consiste, pois, em exorcizar os espíritos, quebrar feitiços, desviando dos maus agouros; consiste também em propiciação, purificação e coisas análogas, isto é, na produção mágica do acontecimento auxiliador.</p>
</div>
<p><em>Explicação:</em></p>
<p>O &#8220;perigo originário&#8221;, para o &#8220;homem primitivo&#8221;, portanto, é ele ser afogado numa &#8220;onda avassaladora do inconsciente&#8221;, um &#8220;tsunami&#8221; que lhe coloca diante do &#8220;conhece-te a ti mesmo&#8221; posto no Oráculo de Delfos e que mudou o curso da vida de Sócrates e de toda a Filosofia posterior até nossos dias.</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/muralha2.jpg" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p>Aquele que não se enfrenta e não enfrenta a &#8220;realidade suprema&#8221; da &#8220;obra divina&#8221;, do &#8220;pleroma&#8221; que visa construir o homem diante do Uno e do Múltiplo substanciais, na Totalidade que nada acrescenta à essência, este constrói &#8220;muros&#8221;, este é aquele &#8220;primitivo&#8221; que se esconde por traz <em>dos muros construídos contra os perigos do inconsciente</em>, das &#8220;muralhas da China&#8221;, dos &#8220;muros da vergonha de Berlim&#8221;, da &#8220;cortina de ferro do mundo comunista&#8221;, da prisão sem direito a fuga da ilha de Fidel Castro, e, por fim, dos &#8220;muros dos shopping centers&#8221; protegidos contra a bandidagem nas ruas.</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/muralha3.jpg" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p>Mas é aí, dentro destes &#8220;muros&#8221; onde está não apenas o refúgio do corpo físico e da consciência &#8220;palpável&#8221; e sem culpas, que emerge o &#8220;infantil&#8221;, que &#8220;faz coisas nas quais não se reconhece&#8221;, o &#8220;primitivo que teme afetos e emoções descontroladas&#8221; e que, por isso, dá &#8220;espaço à possessão&#8221;, seja aquela &#8220;possessão&#8221; resultante no consumo exarcebado dos shoppings, seja aquel&#8217;outra inclusa na ideia estapafúrdia de erradicar o desejo de consumo &#8220;da burguesia imperialista decadente&#8221; presente no discurso dos &#8220;desejosos&#8221; de uma sociedade &#8220;pura&#8221; e provida de um só desejo: o &#8220;desejo&#8221; de desejar um mundo sem desejos.</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/muralha1.jpg" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p>Há mais: que é quando o homem primitivo puder tornar-se uma espécie de &#8220;herói&#8221;, naquele sentido de ser capaz de enfrentar o canto da Sereia, como fez Odisseu (em Homero), ainda que estivesse atado ao mastro de seu barco. Ou ainda, o desejo de enfrentar o &#8220;pleroma&#8221; sem a interferência despótica de outros povos que nada mais fazem que preservar o instinto primitivo de dominação e possessão, como é o caso da nefasta opressão sobre o Tibet.</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/tibet.gif" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p>Continua, ainda, Jung:</p>
<div class=noticia1>
<h4>JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (pars. 48)</h4>
<p>(48) São esses muros exigidos desde os primórdios que se tornaram mais tarde os fundamentos da Igreja. Portanto, são estes os muros que desabam quando os símbolos perdem a sua vitalidade. Então o nível das águas sobe, e catástrofes incomensuráveis se precipitam sobre a humanidade. O chefe religioso dos pueblos de Taos, denominado <em>Loco Tenente Gobernador</em> (grifo meu), disse certa vez: &#8220;Os americanos deveriam parar de perseguir nossa religião, pois se esta desaparecer e não pudermos mais ajudar nosso pai, o Sol, a atravessar o céu, os americanos e o mundo inteiro sofrerão com isso: dentro de dez anos o sol não vai mais nascer&#8221;. Isto significa que a noite virá e a luz da consciência vai extinguir-se, irrompendo o mais escuro do inconsciente.</p>
</div>
<p><em>Explicação:</em></p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/bomb2.jpg" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p>O &#8220;Loco Tenente Gobernador&#8221; está por aí, arrebanhando simpatizantes e construindo bombas atômicas. E há, também, outro louco: o &#8220;Louco Tenente Embaixador&#8221; dando suporte a tamanha insanidade &#8220;primitiva&#8221;, mesmo que o holocausto tenha sido um fato histórico que, ao menos nas palavras de Joerg Rasche, &#8220;is shocking, disgusting and scandalising –and for me as a German shaming&#8221;.</p>
<p>E eu não quero dizer, como Rasche, &#8220;is shocking, disgusting and scandalising –and for me as a <em>Brazilian</em> shaming&#8221;.</p>
<p>PUBLICADO NO BLOG FILOSOFIX em (05/06/2010)</p>
<hr />
<p>postado por Ramiro Corrêa (09/08/2011)</p>
<ol start="1" class="footnotes"><li id="footnote-1-68" class="footnote">JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 6 ed. Trad Maria Luiza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Petrópolis, Vozes, 2008 [<a href="#footnote-link-1-68" class="footnote-link footnote-back-link">&#8617;</a>]</li><li id="footnote-2-68" class="footnote">Indico a seguinte possibilidade de entendimento para PLEROMA: é uma &#8220;realidade suprema&#8221;, que deve ser absolutamente e necessariamente complexa, na qual a &#8220;a obra divina&#8221; trata de construir o homem. Em São Paulo e São João, revela-se o &#8220;misterioso Pleroma&#8221;, instante em que o Uno e o Múltiplo substanciais criados se encontram, sem riscos de confusão, na Totalidade que nada acrescenta à essência de Deus, mas que aponta para o &#8220;triunfo da generalização do ser [<a href="#footnote-link-2-68" class="footnote-link footnote-back-link">&#8617;</a>]</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Aprender por ouvir dizer: o psicanalista e aquele que fala de si</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 05:33:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem ao início de um diálogo do filósofo Platão &#8211; O Banquete (Symposium) -, lá pelos idos do Séc IV a.C., um personagem chamado Apolodoro é solicitado a satisfazer um pedido de um Amigo, que ouviu dizer a respeito de um tal Banquete. A escolha de Platão por iniciar a narrativa desta maneira pode encontrar várias explicações, mas entendemos que, neste ponto, o filósofo resolve começar a mostrar que não<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=59">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem ao início de um diálogo do filósofo Platão &#8211; <em>O Banquete</em> (Symposium) -, lá pelos idos do Séc IV a.C., um personagem chamado Apolodoro é solicitado a satisfazer um pedido de um Amigo, que ouviu dizer a respeito de um tal Banquete.</p>
<p>A escolha de Platão por iniciar a narrativa desta maneira pode encontrar várias explicações, mas entendemos que, neste ponto, o filósofo resolve começar a mostrar que não se deve falar por ouvir dizer, mas que há uma pequena possibilidade do saber por ouvir dizer.</p>
<p>Para ser mais exato, vejamos como as coisas se deram bem ao começo deste diálogo.</p>
<p>Apolodoro foi reconhecido pelas costas, pois estava subindo do porto de Falero para a cidade de Atenas. Caminhava de sua casa &#8211; <em>oikothen</em> &#8211; para cima &#8211; <em>aniôn</em>, para a cidade &#8211; <em>astu</em> -. A figura bem conhecida, familiar &#8211; <em>gnôrimon</em> &#8211; de Apolodoro, foi reconhecida pelas costas &#8211; <em>opisthen</em>: este termo encontra semelhança com alguém que procura, ou segue alguma coisa; também convém lembrar que a visada, pelas costas, lembra aquele que é conhecido por cabelos longos às costas, mas que também mantém uma relação com partido de esquerda, atrasado, que, por isso mesmo, parece ter olhos nas costas, alguma coisa escondida nas costas. Na <em>Ilíada</em>, canto I1.24.15, o verso de Homero diz &#8211; “<em>imen phamas opisthen</em>”, no sentido de seguir a voz. Trata-se, portanto, da imagem de alguém seguindo algo absolutamente no futuro.</p>
<p>Eis a razão do tom brincalhão &#8211; <em>kai paizôn</em> -, quando Apolodoro então é chamado &#8211; <em>klêsei</em>:</p>
<p>- <em>Ô Faleirense! Espera</em> &#8211; <em>perimenêis</em>. Procuro encontrar uma resposta &#8211; <em>diaputhestahi</em> &#8211; sobre o que ocorreu no Symposium de Agatão.</p>
<p>Tal ideia de encontrar uma resposta &#8211; aquele que busca algo no futuro -, de uma coisa ocorrida no passado &#8211; no Symposium de Agatão -, está, portanto, possível, não no discurso de quem fala por ouvir dizer, mas naquele que é reconhecido pelas costas, isto é: <em>pelas costas se reconhece o homem que olha para o futuro</em>.</p>
<p>A imagem construída por Platão é uma metáfora riquíssima que encontra, inclusive, repercussão digna em sua própria teoria da reminiscência, isto é: saber do futuro depende do passado, mas nunca por ouvir dizer.</p>
<p>Apolodoro crê que pode reconstituir a história que foi dita por ouvir dizer (172a). Na versão de Fouler, inglesa, a frase é a seguinte:</p>
<p><strong>I believe I have got the story you inquire of pretty well by heart.</strong></p>
<p>Qual poderia ser uma boa tradução para esta versão inglesa? Talvez:</p>
<p><strong>- Acredito que bem tenho a história a qual tu indagas de cor.</strong></p>
<p>Mas, aquele “by heart”, apesar de ser expressão para “de cor” e salteado, lembra algo como “pelo coração”. Para forçar uma tradução, de forma inapropriada, talvez, poderíamos pensar em algo assim:</p>
<p><strong>- Creio ter possuído (tomado) a história que me inquires pela melhor forma do coração.</strong></p>
<p>Ou algo assim. Na verdade, o que me chama atenção para a frase são as palavras “inquire” e “heart”. Isto é: a versão inglesa dá a entender que há coelho nesse mato. </p>
<p>Na dúvida, sendo Platão quem foi, e sabendo que presentes de gregos devem ser tomados com muito cuidado, não custa nada fazermos um mergulho no inferno… e… bem… sendo assim, não nos resta alternativa senão conferir o original. Com todas as dores que isso possa causar. Ei-lo:</p>
<p><strong>(172a) [...] dokô moi peri hôn punthanesthe ouk ameletêtos einai.</strong></p>
<p>Agora sim, começam, realmente, os problemas que Platão deixa para os incautos, como eu (e que os deuses permitam que não sejam para ti)!</p>
<p>A palavra <em>punthanesthe</em>, de <em>punthanomai</em>, significa aprender por ouvir dizer ou por inquirição.</p>
<p>A ideia de “inquirição” é bem próxima à de maiêutica: método socrático de “inquirir” o outro, no sentido de desmontar um raciocínio sofístico, de expor o “falar por ouvir dizer” e, em última instância, a contradição, a mentira.</p>
<p>Noutras palavras, Platão aponta o caminho: você realmente quer “aprender” por ouvir dizer?</p>
<p>Em seguida, encontramos a palavra <em>ameletêtos</em>. Esta traz o sentido de algo impraticável; mas juntada a <em>ouk</em>, forma algo <em>não impraticável</em>.</p>
<p>E antes que te apresses em dizer que aquilo que é “não impraticável” torna-se, portanto, “praticável”, convém esperar. Porque, da mesma forma que a regra empregada em tribunais americanos – “guilty (culpado) or not guilty (não culpado)” – evidencia a diferença entre “not guilty” e “innocent” (inocente); da mesma forma “não impraticável” é bem diferente de “praticável”.</p>
<p>Pensa em algo não impraticável e pensarás algo que deve ser feito com um esforço bem maior do que seria necessário para fazer algo praticável…</p>
<p>Assim, <em>dokô moi</em>, pode dizer eu estou pensando.</p>
<p>A tradução do original insinua para mais ou menos esta:</p>
<p><strong>- Estou pensando em como ensinar por inquirição algo por ouvir dizer de forma que seja não impraticável.</strong></p>
<p>Claro que o Companheiro fará chacotas com Apolodoro, como quem talvez dissesse: deixa disso, conta logo o que aconteceu no Banquete de Agatão; porque queremos saber de “fofocas” mesmo, nada mais que isso.</p>
<p>Mas, Apolodoro não está para brincadeiras. Aliás, Platão também não!</p>
<p>Finalmente: o que é mais belo nesta introdução ao diálogo <em>O Banquete</em>, então, reside na ideia de que <strong>para aprendermos algo por ouvir dizer, é necessária uma atitude sem a qual tudo fica impraticável.</strong></p>
<p>E que atitude é esta?</p>
<p><strong>Aquela de se entregar totalmente ao relato com seriedade; dialeticamente (é possível esta expressão?); com amor, para ser mais preciso.</strong></p>
<p>Na Psicanálise, tanto o paciente quanto o psicanalista devem ter, ambos, esta atitude, caso contrário um diz e outro finge que entendeu, e outro finge que diz e um pensa que entendeu.</p>
<p>A confiança e a seriedade são fatores fundamentais na terapia psicanalítica.</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa Jr. (18/07/2011)</p>
<p>CNPT 07059-3A</p>
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		<item>
		<title>A Psicanálise e a &#8220;abordagem inicial&#8221; entre o psicanalista e seu mais novo paciente</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 00:17:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Veja, com muita atenção, a palavra DIAGNÓSTICO, muito usada para se estabelecer a situação de pessoas humanas que, em dadas circunstâncias, passam por um processo de cuidados de sua PSIQUÊ. A palavra “diagnóstico” contém uma partícula oriunda do Grego Clássico que merece ser revista, sem o que tem ares de “rótulo”. Na filosofia platônica, o processo hoje tido como RAPPORT traduz­-se pelo que PLATÃO tratava como DIÁNOIA. Devemos acrescentar, para<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=53">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Veja, com muita atenção, a palavra DIAGNÓSTICO, muito usada para se estabelecer a situação de pessoas humanas que, em dadas circunstâncias, passam por um processo de cuidados de sua PSIQUÊ.</p>
<p>A palavra “diagnóstico” contém uma partícula oriunda do Grego Clássico que merece ser revista, sem o que tem ares de “rótulo”.</p>
<p>Na filosofia platônica, o processo hoje tido como RAPPORT traduz­-se pelo que PLATÃO tratava como DIÁNOIA. Devemos acrescentar, para efeito de reflexão, algo sobre este fundamental passo (o RAPPORT, que é a abordagem inicial durante uma entrevista com o paciente), e que nos situa diante daquilo que o paciente julga enfrentar de imediato, isto é: um problema.</p>
<p>O chamado RAPPORT resultará, em última análise, na futura relação profunda entre estes DOIS SERES HUMANOS: paciente e psicanalista.</p>
<p>Não se pode, contudo, escapar pela via do que seja “místico”. Parece estranho que eu coloque, neste ponto, algo inesperado com a ideia do “místico”. Vamos, pois, por partes.</p>
<p>Retomemos, pois, a palavra diagnóstico, subsumida à “dialética da alma”: diánoia.</p>
<p>Este termo, muito empregado por Platão, praticamente encerra o Livro VI de A República, nos instantes que precedem o início do VII e, por conseguinte, do trecho que inclui o célebre MITO DA CAVERNA.</p>
<p>Em algumas ocasiões, “diánoia” é traduzida como entendimento; porém, tal palavra – entendimento – ganha matizes e contornos os mais amplos possíveis, pois torna­-se aqui (desculpem­-me) “trans”­polissêmica, seja na via da técnica, seja na via da moral.</p>
<p>A rigor, diánoia vem de diá (entre, por ali) e noús (inteligência), acrescida de doxa (opinião). Ou seja, por entre a inteligência e a opinião. É uma espécie de opinião acertada. Portanto, é menos (mais ao invés de menos…) que certeza científica absoluta, mas absolutamente necessária.</p>
<p>Farei, numa outra NEWSLETTER aos nossos membros, uma releitura do diálogo de Platão – O Banquete (Symposium) -, até o ponto onde Diotima de Mantinéia passa a “ensinar” a Sócrates sobre o que seja a tal da opinião acertada. Por enquanto, vamos verificar que lá em O Banquete, após afirmar que sabia tudo sobre o Amor, Sócrates nega saber. Desdiz o dito e, sobre Diotima, ele diz:</p>
<p>“Foi ela quem me instruiu em matéria de amor… (Symposium, 201d)”</p>
<p>As reticências falam mais que a própria frase, na versão portuguesa traduzida por Jaime Bruna. Este (suponho eu), ao perceber a dificuldade do problema posto por Sócrates, acrescenta as reticências; o que, em meu modo de ver, está perfeitíssimo, conforme o caso.</p>
<p>Pense um pouco sobre o que está nas entrelinhas destas reticências!</p>
<p>A versão inglesa da Oxford University traduz a passagem como “I also had my lesson from her in love­ matters“, do grego “ta erôtika“.</p>
<p>Neste caso, vemos que Sócrates trata de love­matters (erôtika), não naquele sentido do elogio discursivo, ou mesmo no outro, um pouco mais polido. É muito sutil! Quando o assunto é amor, convém andar como quem pisa em ovos. Em várias situações, por exemplo, entre psicanalista e paciente, este assunto dá voltas e voltas até que venha à tona. E é naturalíssimo que assim seja.</p>
<p>Na fala de Diotima, isso se traduz como:</p>
<p>“E o que não é saber é ignorância? Não compreendeu que, entre saber e ignorar há um meio­-termo? Formar opiniões acertadas sem ser capaz de dar suas razões, ignoras tu ­ disse ela ­ que não é saber (que saber seria esse, sem razões?) nem ignorância (que ignorância seria essa, dona da verdade?) Deve existir algo como uma opinião acertada, meio­-termo entre o conhecimento e a ignorância.” (Symposium, 202a)</p>
<p>Este trecho que cito abre caminho para Newsletters futuras, quando estivermos tratando propriamente das relações da LIBIDO no pensamento de Sigmund FREUD.</p>
<p>Mas, retomando:</p>
<p>Sócrates, no debate com Diotima, lembra, então, que sábios são apenas os deuses; que os ignorantes nada sabem; portanto, aqueles que têm “opiniões acertadas”, são filósofos, porque se atiram­, mergulham na busca, com convicção, com paixão, com amizade ao saber: isto é, à filo­sofia.</p>
<p>Mas, como é que alguém pode saber algo de algo fora de si?, isto é, como pode alguém, como pode o filósofo, como pode o psicanalista (se me permitem acrescentar), e como pode o paciente (se me permitem também acrescentar) desejarem algo de que estão carentes, se não conhecem esse algo?</p>
<p>Sim, porque sei que não sou um deus; também sei que não sou ignorante; e sei, sobretudo, que tenho opiniões. Pois, todo paciente as tem, não é mesmo? E todo psicanalista também!!</p>
<p>O paciente busca algo “perdido”. O psicanalista busca algo no paciente. Quando estas duas buscas se realizam, dizem-se: Ah!</p>
<p>Diotima argui Sócrates: “como poderiam, Sócrates, admitir ser ele (o Amor) um grande deus aqueles que chegam a negar sua divindade?” (202c).</p>
<p>Eis uma belíssima metáfora de Platão: para amar, é preciso crer no amor.</p>
<p>E nem tão metáfora é! Concordemos, talvez, se levarmos em conta a importância do Amor.</p>
<p>Examinemos, agora, o sentido deste crer.</p>
<p>Trata­-se do sujeito autônomo com uma fé em suas opiniões acertadas, fé esta que representa um crescer; do Francês foi, mas também croyance, crença, confiança; uma fé que faz crescer e não uma fé que despreza, maltrata ou atira pedras; de croyance para croissance (crença para crescimento) e não croyance para crosser (crença para desprezo).</p>
<p>O paciente, diante de seu psicanalista, traz consigo “algo” que precisa, num primeiro momento, ser “acreditado”, sem o que nada bastaria. O paciente luta entre crença, confiança, desprezo, maltrato, crescimento, e muito mais.</p>
<p>Por exemplo, na filosofia de Paul Ricoeur, transforma­-se, de forma aparentemente paradoxal, desprezo, rejeição plena, do croyance pour crosser, para uma apologia do croyance pour croissance. Logo, para a realização plena do sentido ecumênico, é mister o ato do volontaire.</p>
<p>O homem voluntarioso, de bom grado, tem visada obstinada no rumo da fé que faz crescer (mesmo que esta fé não envolva motivos religiosos, mas motivos de crença em si mesmo e nas pessoas – ou descrença).</p>
<p>Isto é o que se chama disposição de caráter. Héxeis, no Grego clássico de Aristóteles conforme o filósofo escreveu em sua obra Peri Psiquê (Acerca da Alma).</p>
<p>Vemos como há uma relação mais que direta entre filosofia e psicanálise; até mais, entre os chamados contemporâneos e os antigos. Noutras palavras, está posto que entre a lógica do discurso (alguém num divã) e aquilo que realmente se deseja, há um abismo imenso; mais que isso, o meio-­termo a que se refere Diotima, entre a crença e a certeza, ou seja, a “opinião acertada”, é um meio-­termo entre mortal e divino.</p>
<p>Eis a grandeza de Platão!</p>
<p>Os seres humanos, em pleno Século XXI, por mais céticos que sejam, ainda olham as estrelas e buscam lá o insondável. Estes seres humanos ainda sonham, devemos dar graças a isto.</p>
<p>O papel do psicanalista, em grande medida, é promover esta “diánoia” com seu paciente, abrir-lhe as visadas, dar-lhe a possibilidade da convicção em suas “crenças”, isto é, croyance pour croissance.</p>
<p>Crer, em um Deus ou em si mesmo, é um passo fundamental para a autonomia. Até mesmo Immanuel KANT, em sua filosofia moral, assim afirmou.</p>
<p>A Psicanálise, neste sentido estrito, está no rumo certo se a relação primeira, ao início de uma terapia, levar em conta que no divã está um ser com desejo de ser mais ainda. E diga-se o mesmo para seu psicanalista.</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa Jr. (13/07/2011)</p>
<p>CNPT 07059-3A</p>
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		<title>Passando o bastão</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 00:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos segredos por traz (não é &#8220;por traz&#8221;, mas &#8220;por trás&#8221;, e isto prova que a metáfora dos &#8220;cupins&#8221; é verdadeira!) do mito de Édipo Rei, percebidos por Sigmund FREUD, vai além em Jacques LACAN e&#8230; culmina num piano! Prepare-se, pois! O inconsciente estruturado como linguagem de Primazia do significante do grande Outro tem um problema sério a resolver: o da metáfora dos &#8220;cupins&#8221;. Já sabemos, por Lacan, que<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=37">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos segredos por traz (não é &#8220;por traz&#8221;, mas &#8220;por trás&#8221;, e isto prova que a metáfora dos &#8220;cupins&#8221; é verdadeira!) do mito de Édipo Rei, percebidos por Sigmund FREUD, vai além em Jacques LACAN e&#8230; culmina num piano!</p>
<p>Prepare-se, pois!</p>
<p>O inconsciente estruturado como linguagem de Primazia do significante do grande Outro tem um problema sério a resolver: o da <em>metáfora dos &#8220;cupins&#8221;</em>.</p>
<p>Já sabemos, por Lacan, que o sujeito é um significante para outros significantes. Quer dizer que o sujeito é dito pelo outro. Na verdade, Lacan não apresenta nenhuma novidade, do ponto de vista do conhecimento. E embora possa parecer inovador, nada mais faz que replicar as explicações de G. W. F. HEGEL no texto de <em>A Sociedade Civil-Burguesa</em>, dos parágrafos 182 a 185. Lá, Hegel diz:</p>
<div class=noticia1>
<h4>HEGEL, <em>A Sociedade Civil-Burguesa</em> <sup><a href="#footnote-1-37" id="footnote-link-1-37" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Textos didáticos, UNICAMP, trad. de Marcos Lutz Müller">1</a></sup></h4>
<p>Par 182 – O singular e a sociedade: A pessoa concreta, que é para si como um <em>fim particular</em> (grifo de Hegel), como um todo de carências e como uma mistura de necessidade natural e de arbítrio, é <em>um dos princípios</em> (grifos de Hegel) da sociedade civil-burguesa, &#8211; mas a pessoa particular como essencialmente em relação a outra tal particularidade, assim que cada uma só se faça valer e se satisfaça mediada pela outra e, ao mesmo tempo, pura e simplesmente só enquanto mediada pela forma da universalidade, é o outro princípio. </p>
</div>
<p>Vê-se que a “pessoa concreta” é o “fim egoísta na sua realização efetiva, assim condicionado pela universalidade”, como diz Hegel a seguir, e assim “funda um sistema de dependência omnilateral, tal que a subsistência e o bem-próprio do singular, bem como o seu ser-aí jurídico, estão entrelaçados com a subsistência, o bem próprio e o direito de todos, nisso estão fundados e só nessa conexão são efetivamente reais e estão assegurados”. É bom notar que a particularidade “só se satisfaz” e também “só se faz valer”, enquanto mediada por outra particularidade.</p>
<p>Não há, pois, nada de novo nas expressões de Lacan acerca de que o Outro é a lei e que o sujeito é dito pelo outro; o que se acrescenta aí é a capacidade de Lacan em juntar as filosofias política e do direito (de Hegel) a uma linguagem e a uma antropologia do sujeito. A lei e as normas também interagem com a estrutura da linguagem.</p>
<p>Aliás, não poderia ser mesmo diferente.</p>
<p>Porém, há mais nessa lei, que é &#8220;a lei&#8221;. O falo e a metáfora do nome-do-pai.</p>
<p>Na função de mediação entre a criança e a mãe, o pai atua para transmitir a Lei e o portador do nome. Nos estágios do Édipo lacaniano, a) a Lei do Pai nomeia e o pai priva a criança, forçando-a a renunciar ser o desejo da mãe; b) em seguida, a mãe faz eco (quero refrisar sem a menor sombra de dúvidas e invocar a ninfa Eco aqui!), transformando-se em porta-voz da <em>Lei do Pai</em>, e força o filho a desejar não ser, mas ter o falo; c) daí, simboliza a lei, o processo edípico tende ao <em>declínio</em> e ela (a criança) é confrontada com a castração, a necessidade de transformar o pai real em pai simbólico;  d) <em>surge o momento crucial</em>, em que se deve assumir a castração no sentido de aspirar ao próprio falo, isto é, poder também transmitir a Lei, tronando e tornando (sem trocadilhos) o pai naquele <em>ser que tem poder transitório</em> – o filho nomeado pelo pai, o pai pelo avô, e sucessivamente; e e), a terceira etapa do Édipo lacaniano, quando a criança, <em>que recebeu a significação</em>, ingressa na “dialética da negociação”, de “ter”, e o homem torna-se o varão (ter) e a mulher torna-se a mãe (não-ter, como foi o caso da ninfa Eco).</p>
<p><em>Eis a metáfora do nome-do-pai.</em> Mas não é tudo: falta ainda a &#8220;metáfora dos &#8216;cupins&#8217;&#8221;&#8230;</p>
<p>Além deste objeto de desejo da mãe, que está no falo, Lacan observa, de passagem, que o problema da memória também pode ser resolvido. Na verdade, a memória, sendo estrutura da linguagem, é indestrutível no inconsciente; e sendo também assim, na TRANSFERÊNCIA – o ato entre o paciente e o analista -, há uma cadeia persistente que se reproduz, de um desejo morto, qual seja aquela em que <em>o falo do pai deixou de ser, para o filho ter</em>, e na mãe deixou de ter, para o pai ser.</p>
<p>O que é proibido – como incesto e castração – exige ser aceito para quem quiser ser portador da Lei.</p>
<p>E o sujeito psicológico <em>somente nasce</em>, verdadeiramente, quando é incluído na ordem geral dos significantes e, ao mesmo tempo, na Lei do Pai, quando reconhece a castração. </p>
<p>O aparecer de uma ALIENAÇÃO INICIAL – e isto é FUNDAMENTAL – é o <em>compasso de espera entre o ingresso na ordem simbólica da linguagem</em>. Portanto, é forçoso o reconhecimento da castração.</p>
<p>Eis, também, que o IMAGINÁRIO, o SIMBÓLICO e o REAL se interagem e, desfazendo-se um nó, os demais ficam soltos. E aqui, se Melanie Klein dá vistas mais ao imaginário, e se Hartmann ao real, Lacan outorgou papel preponderante ao simbólico.</p>
<p>E onde entra o piano, nesta história?</p>
<p>Bem, se você não tem um piano, olhe lá se não é um violão, uma flauta, sua motocicleta&#8230; observe-se: alguma coisa você haverá de ter, possuir, que representa esta passagem entre imaginário, simbólico e real; e que possa ser possuída por&#8230; &#8220;cupins&#8221;. O seu símbolo. O cetro. O falo. O bastão.</p>
<hr />
<p>Ontem estive por aqui, aliás, &#8220;dentro&#8221; do Blog Filosofix, no coração do sistema, apagando &#8220;spam&#8217;s&#8221; e comentários feitos &#8220;sem noção&#8221;. Censurando! Note: censurando! Quando ouvi, lá dentro da casa, gritos histéricos. Histéricos ao ponto, mesmo, de me deixarem assustado:</p>
<p>- Uai! Que é isso?, pensei tentando ouvir mais e adivinhar.</p>
<p>Minha filha passou descabelada, quase aos prantos, soltando os cachorros, até mesmo dizendo palavrões inomináveis:</p>
<p>- Pronto! O mundo caiu! Alguém telefonou&#8230; ela ouviu alguma coisa desagradável, saiu do sério&#8230; mas é grave&#8230; que é isso?</p>
<p>Trovoadas! Relâmpagos! Zeus Olimpo, senhor dos raios, devia estar atônito também!</p>
<p>- Pai!, (aos berros)&#8230; vem cá!, num tom de voz inenarrável, misto de choro, ódio, angústia, desespero, abominação, espanto e insensatez&#8230; Vem cá, pai!</p>
<p>- Que &#8216;tá acontecendo aqui, menina?, perguntei já na sala, querendo impor, com minha presença, uma certa ordem, energia e harmonia no ambiente.</p>
<p>- Olha isso aqui! Olha que m&#8230;!</p>
<p>Cupins. Cupins no piano. Muitos cupins, centenas, milhares, milhões deles.</p>
<p>- Eu vou matar quem deixou o MEU PIANO piano chegar nesse estado! Eu moro em BH, venho pra cá nas férias, não posso cuidar dele&#8230; e olha isso aqui! Tem essa b&#8230; de cupim por todo lado&#8230; olha isso aqui, essa m&#8230; meu piano &#8216;tá morrendo!</p>
<p>E chorava. E saiam faíscas nos olhos. E babava. E tremia as mãos ainda jovens demais. E o tom da pele mudava qual camaleão, de vermelho ao amarelo pálido. Faltava um milímetro de milionésimo de micron de segundo para ter um <em>delirium tremens</em>, um AVC. Nas pernas e entre as unhas, um bando de cupins espalhados. E ela batia neles como quem mata baratas, pernilongos: com vontade. E lágrimas caiam dos olhos.</p>
<p>Eu quis, após o susto inicial, rir&#8230; mas não podia chegar a tanto&#8230; afinal, é uma linda garota, ainda mais com toda aquela raiva exposta, mais parecia uma leoa defendendo um filhote. Devia ter filmado a cena: que pena! Devia ter rido um bocado dela: que pena! Devia ter sentido um pouco de piedade de mim: que pena! E soltei o Português aqui das Gerais, sem a menor preocupação semântica:</p>
<p>- Quê qui foi isso, Marina? &#8216;Cê pirô? Vai ganhar o prêmio de bailarina do ano?, disse segurando para não explodir em risos.</p>
<p>Mas o motivo de minha alegria era outro, isto é, o outro. Lacan, em espírito, bem o sabe! E ele estava ali, aposto dez contra um, para confirmar, &#8220;do além&#8221;, sua teoria do sujeito que é dito pelo outro até o nome do pai.</p>
<p>- Tem jeito de matar isso, pai?</p>
<p>- Matar o que, menina?</p>
<p>- Essa m&#8230; de cupim?</p>
<p>- Marina, de onde você tira tanto palavrão? Quê qui é isso, menina?</p>
<p>- Não enche! Mas que m&#8230;! Olha o meu piano! Tem jeito de matar isso?</p>
<p>- Tem! Querosene; muito querosene, umas duas latas de querosene!</p>
<p>- Então, anda! Agora! Anda! A gente vai sair pra comprar querosene&#8230; e como é que enfia querosene nesse bicho?</p>
<p>- Marina! Que bicho?</p>
<p>- Eu quero matar esses cupins e é hoje! Eu vou matar! Eu! Anda! Põe o tênis&#8230; você vai assim mesmo, de bermuda, com essa camiseta rasgada, descalço&#8230; &#8216;tó&#8230; calça aqui&#8230; anda&#8230; cadê sua carteira&#8230; &#8216;tó&#8230; anda&#8230; &#8216;to abrindo a garagem&#8230; depressa, pai!</p>
<p>- Mas que droga, Marina! Ponho ou não ponho o tênis? Eu &#8216;tô lá blog, sossegado, fazendo um vídeo, estudando&#8230; sábado, três da tarde&#8230; onde vou encontrar querosene uma hora dessas?</p>
<p>- &#8216;Cê não sabe de nada! Vai perder tempo no blog com o MEU PIANO morrendo? Anda depressa. Anda, vem!</p>
<p>Saímos. Compramos o bendito querosene; achei uma lata de 500 ml; compramos uma seringa. </p>
<p>A preparação da <em>cirurgia</em> foi cômica. Ele rompeu o lacre da seringa e fixou a agulha; mas não destampou-a:</p>
<p>- Tira a proteção da agulha!, exclamei.</p>
<p>Ela hesitou e não me contive. Ri. Não segurei mais. Ela parecia preocupada em sua primeira cirurgia (das milhares que terá pela frente, um dia), em não infeccionar &#8220;seu piano&#8221;.</p>
<p>Abriu a lata de querosene com o maior cuidado, como se aquilo fosse sangue revitalizado. Foi para a sala com seu material cirúrgico. Deitou-se sob o piano, bem perto dos pedais. Meteu a seringa na lata de querosene e encheu-a cuidadosamente. As mãos ainda tremiam.</p>
<p>- Vem cá, pai! Me ajuda aqui que eu &#8216;tô morta de raiva e não vou acertar os buracos; essa agulha vai quebrar!</p>
<p>Começamos.</p>
<p>A coisa era mesmo grave. Com toques de dedos, como os médicos testam os pulmões dos pacientes, investigamos os ocos do moribundo, por baixo, naquela parte de sua anatomia que apoia o teclado. Era muitíssimo grave seu estado de saúde!</p>
<p>- Aqui! Injeta aqui, filha!</p>
<p>Lívida, ela descarregava sua ira contra os cupins que escorriam pela agulha, desciam pelo corpo da seringa e despencavam no chão, sobre nós dois.</p>
<p>- Morre, desgraçado!, ela dizia; e séria, &#8220;cuspindo marimbondos&#8221; como se diz na gíria.</p>
<p>E eu, de minha parte, confesso que até ouvi alguns deles (dos cupins) gritando por socorro&#8230;</p>
<p>Somente nesta anatomia da madeira que suporta o teclado foram gastos dois copos de querosene injetado sem piedade nos ninhos de cupins. Retirei o tampo dos pedais, onde fica a máquina inferior. Minha filha ainda não conhecia aquela região. Olhou admirada. A situação, ali, era das melhores, sem sinais dos monstros alienígenas; mas estava imundo, o local. A menina passava um pano com cera para limpar e proteger o madeirame. Parecia uma contorcionista, esmerando-se para atingir todos os cantos; e, assim deitada, imunda, fedida a querosene, com os pés apertava os pedais para ganhar espaços sob as alavancas.</p>
<p>Partimos para o ataque às laterais, até os pés do instrumento. Havia cupins na base. Ganharam mais um copo de querosene; talvez umas vinte injeções aplicadas com gosto e desgosto.</p>
<p>O enfermo já parecia agradecer. Até sua respiração era possível sentir.</p>
<p>Em suas costas, bem no &#8220;lóbulo occipital&#8221; da madeira, havia um foco imenso de cupins. Uma verdadeira cratera. A intervenção cirúrgica, ali, foi dramática. Tinha ares de ortopedia. Chave de fenda, alicate, segueta, aspirador de pó de cupins, lanterna para iluminar recantos, punção (bastante sugestiva, aliás, em se tratando de &#8220;psicanálise para pianos&#8221;), seringas e mais seringas com querosene puro. Panos para cobrir e fazer o &#8220;campo cirúrgico&#8221;. Cera líquida. Suor. Tensão. Atenção. Determinação.</p>
<p>Ao fim das contas, uma lata inteira de querosene havia sido gasta.</p>
<p>Todo ele aberto. Sem as tampas frontais. A harpa à vista. Os martelinhos. A &#8220;máquina&#8221; restaurada. Aparentemente sadia, outra vez.</p>
<p>Sem dizer da luta, do esforço tremendo, para arrastar o instrumento e colocá-lo sobre seus pés.</p>
<p>- A gente vai ter que mandar afinar de novo!, ela disse.</p>
<p>- Não vai, não! Você não conhece seu piano?</p>
<p>Experimentei, rapidamente, com o som aberto. Estava lá, mais potente que nunca. Mais profundo que jamais.</p>
<p>Este piano fala! Não pense você, Navegante, que somente o de Nelson Freire (aqui vizinho da gente, nascido nas terras de Boa Esperança) fala com um humano. Se Nelson Freire sabe muito bem &#8211; como ele próprio diz &#8211; quando um piano &#8220;gosta ou não gosta&#8221; dele; o daqui desta casa também é assim: este chora e sorri!</p>
<p>Tirando a distância que existe, das alturas de Nelson Freire, lá no Himalaia ou no Olimpo, e a nossa, cá em baixo na colina; no entanto, nossos pianos são, provavelmente, frutos do mesmo bosque&#8230;</p>
<p>Foi quando ela disse-me assim:</p>
<p>- Ah! Será que ele vai ficar bom de novo? Eu amo o meu piano!</p>
<p>Bem&#8230; este &#8220;bom&#8221; aí não foi uma referência à qualidade do som, mas uma preocupação com <em>a vida</em> do instrumento&#8230;</p>
<p>Este é um daqueles momentos em que, verdadeiramente, uma vida inteira se paga! E para não dizer que emudeci, ainda tive o desplante de afirmar:</p>
<p>- Seu piano, vírgula! Meu piano! Meu! O dia que eu morrer&#8230;</p>
<p>- Meu! Nem vem! É meu!, ela enfrentou-me sem hesitar.</p>
<p>Estava concluída, senti de imediato, a &#8220;metáfora do Nome do Pai&#8221;, que tanto Lacan insistiu. Pela via da &#8220;metáfora dos &#8216;cupins&#8217;&#8221;.</p>
<p>Era o ponto final.</p>
<p>Surgiu, enfim, <em>o momento crucial</em>, o poder de transmitir a <em>Lei</em>, tronando e tornando o pai naquele <em>ser que tem poder transitório</em> e quando o outro <em>recebe a significação</em> e ingressa, definitivamente, na “dialética da negociação”, de “ter”.</p>
<p>O diálogo que se seguiu parecia confirmar meu &#8220;diagnóstico&#8221;. Foi assim:</p>
<p>- Por que esse piano é bom, na sua opinião?, ela perguntou-me.</p>
<p>- A máquina dele! É perfeita! A voz! O pulmão! O espírito, a alma!</p>
<p>- Quantos anos ele tem?</p>
<p>- É de 1958.</p>
<p>- Tem algo mais nele, sim&#8230;</p>
<p><a class="thickbox" rel="" href='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/meualbum/piano1.jpg' title=''><img src='http://www.filosofix.com.br/blogramiro/wp-content/gallery/meualbum/thumbs/thumbs_piano1.jpg' alt='schwartzmann.jpg' class='ngg-singlepic ngg-center' /></a></p>
<p><center><font size=1>(clique para ver o mi bemol que desafinava, na melodia &#8220;<em>Até quem sabe</em>&#8220;, de João Donato)</font></center>&nbsp;</p>
<p>- Tem sim, respondi. Por exemplo: você não diz, sempre, que aquele mi bemol &#8216;tá desafinado? Pois não está! Aquele mi bemol faz aquele som porque o TEU piano chora&#8230; e, provavelmente, devia estar doendo com esse monte de cupins de m&#8230; (aproveitei para igualar o nível de linguagem e deixa-la isenta desse tipo de &#8220;culpa&#8221;)&#8230; esse monte de m&#8230; de cupins (aproveitei para enfatizar a &#8220;metáfora dos cupins&#8221;) deviam estar machucando muito o teu (e disse o &#8220;teu&#8221; sem enfatizar, justamente para enfatizar) piano!</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Faz um teste, uai! Levanta daí e toca o mi bemol. Perco um doce pra ti se ele desafinar agora! Deixa o teu piano te dizer o que sente&#8230; experimenta!</p>
<p>Joguei com o acaso. Ou não joguei?</p>
<p>O fato é que ela testou a nota (eu já a havia testado antes)&#8230; e o mi bemol não desafinou!</p>
<hr />
<p>Agora? Agora &#8216;tá lá, brigando com Debussy, naquela passagem do <em>Clair de Lune</em> onde os dedos dela não alcançam.</p>
<p>- É impossível&#8230; isso aqui é impossível!</p>
<p>- &#8220;Se vira&#8221;! Problema seu!</p>
<p>Não é mais teu, na segunda pessoa; é seu, na terceira. O problema agora é dela com o piano &#8220;dela&#8221;. Eu não tenho mais nada a ver com isso.</p>
<p>E é bom que Lacan esteja certo! É bom, porque, caso contrário, teremos uma briga feia: ele contra mim!</p>
<p>Mas&#8230; de imediato, tenho uma pergunta a fazer que é urgente:</p>
<p>- E agora? Como vou resolver o meu problema? O MEU problema? E ainda mais, sem o &#8220;meu&#8221; piano?</p>
<p><strong>João Donato em &#8220;Até quem sabe?&#8221;</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/TE2b0U_zCX8" frameborder="0" allowFullScreen></iframe></p>
<p>Tudo é uma grande metáfora. &#8220;Até um dia&#8230; até talvez&#8230; até quem sabe?&#8221;</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa (30/01/2011)</p>
<hr />
<p>(publicado no Blog Filosofix e republicado no Psicanálise Filosofix em 06/07/2011)</p>
<ol start="1" class="footnotes"><li id="footnote-1-37" class="footnote">Textos didáticos, UNICAMP, trad. de Marcos Lutz Müller [<a href="#footnote-link-1-37" class="footnote-link footnote-back-link">&#8617;</a>]</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Teste de conhecimentos filosóficos e psicanalíticos</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 14:18:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui vai o primeiro artigo deste nosso Blog de Psicanálise. Trata-se de uma reprodução postado no Blog Filosofix o ano passado. Convém, sugerimos, uma reflexão a este respeito. Encontre, abaixo, uma série de perguntas que não podem deixa-lo (a) embaraçado (a) naquelas reuniões de madames que tomam chás às tardes (aff!, vida dura!! Nada!) ou nas salas de visitas para agradar o convalescente que pretende voltar a ser o que<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=17">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui vai o primeiro artigo deste nosso Blog de Psicanálise. Trata-se de uma reprodução postado no Blog Filosofix o ano passado. Convém, sugerimos, uma reflexão a este respeito.</p>
<hr />
<p>Encontre, abaixo, uma série de perguntas que não podem deixa-lo (a) embaraçado (a) naquelas reuniões de madames que tomam chás às tardes (aff!, vida dura!! Nada!) ou nas salas de visitas para agradar o convalescente que pretende voltar a ser o que era (aff!, vida dura! Nada!).</p>
<p>Preparado (a)? BOA SORTE!</p>
<p><strong>1)</strong> Qual foi o famoso filósofo grego que viveu de 470 a 399 a. C. e que proferiu a célebre frase <em>Sei que nada sei</em>?</p>
<p>a) Lula</p>
<p>b) José Ribamar</p>
<p>c) Raoni</p>
<p>d) Dario Peito de Aço</p>
<p>e) SÓCRATES</p>
<p><strong>2)</strong> Qual foi o filósofo alemão que tratou dos conceitos de &#8220;eterno retorno&#8221;, &#8220;niilismo&#8221;, &#8220;último homem&#8221; (ou em algumas traduções &#8220;super-homem&#8221;) e da &#8220;genealogia da moral&#8221;?</p>
<p>a) Maradona</p>
<p>b) Obama</p>
<p>c) Chávez</p>
<p>d) Hiroito</p>
<p>e) Friedrich NIETZSCHE</p>
<p><strong>3)</strong> Quem é considerado o PAI DA PSICANÁLISE e autor da obra <em>Interpretação dos Sonhos</em>?</p>
<p>a) Duda do marketing</p>
<p>b) Dunga</p>
<p>c) Homer Simpson</p>
<p>d) O Beijoqueiro</p>
<p>e) Sigmund FREUD</p>
<p><strong>4)</strong> Quem foi o filósofo italiano que celebrizou o dito popular segundo o qual &#8220;os fins justificam os meios&#8221;?</p>
<p>a) Al Capone</p>
<p>b) Benito Mussolini</p>
<p>c) Bin Laden</p>
<p>d) Delúbio Caixa-dois</p>
<p>e) Nicolò MAQUIAVELLI</p>
<p><strong>5)</strong> Qual era o nome verdadeiro do filósofo grego mais famoso de todos os tempos e que tinha o apelido de PLATÃO?</p>
<p>a) Pelé</p>
<p>b) Neil Armstrong</p>
<p>c) Yuri Gagarin</p>
<p>d) Albert Einstein</p>
<p>e) ARISTÓCLES</p>
<p>VAMOS DAR UMA PAUSA PARA DESCANSO. Confessamos que as perguntas exigem muito da mente. Você pode aproveitar agora para&#8230;</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/sanitario.jpg" alt="" /></center>&nbsp;</p>
<p><strong>6)</strong> Quem foi o filósofo francês que proferiu as frases, &#8220;O segredo de aborrecer é dizer tudo&#8221;, &#8220;Todo o homem é culpado do bem que não fez&#8221;, &#8220;Os homens devem ter corrompido um pouco a natureza, pois não nasceram lobos e acabaram se tornando lobos&#8221; e &#8220;Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la&#8221;; além de ter sido autor da obra <em>Tratado sobre a Tolerância</em>?</p>
<p>a) Maluf</p>
<p>b) Ahmadinejad</p>
<p>c) Fidel</p>
<p>d) Stálin</p>
<p>e) François Marie VOLTAIRE</p>
<p><strong>7)</strong> A sentença <em>Uma imagem vale mais que mil palavras</em> é atribuída, pela primeira vez, a:</p>
<p>a) Dilmá</p>
<p>b) Barby</p>
<p>c) Beckham</p>
<p>d) Charles Bronson</p>
<p>e) KUNG FU TSÉ (Confúcio)</p>
<p><strong>8 )</strong> Foram discípulos de Sigmund Freud e pesquisadores célebres da psicanálise, EXCETO:</p>
<p>a) Carl Gustav Jung</p>
<p>b) Jacques Lacan</p>
<p>c) Alfred Adler</p>
<p>d) Melanie Klein</p>
<p>e) Virgulino LAMPIÃO</p>
<p><strong>9)</strong> Ele escreveu, entre tantas, três obras clássicas, a <em>Cidade de Deus</em>, as <em>Confissões</em> e o <em>Discurso sobre a Felicidade</em>; foi, por séculos, considerado o mais expoente filósofo da Igreja:</p>
<p>a) Kacá</p>
<p>b) Padre Marcelo</p>
<p>c) Frei Tuck de Hobin Hood</p>
<p>d) Bento XVI</p>
<p>e) Santo AGOSTINHO</p>
<p><strong>10)</strong> Quem foi o filósofo alemão que enunciou a Lei Moral Fundamental, conhecida como Imperativo Categórico, que se expressa na obra <em>Crítica da Razão Prática</em> e assim diz: &#8220;Handle nur nach derjenigen Maxime, durch die du zugleich wollen kannst, dass sie ein allgemeines Gesetz werde&#8221;?</p>
<p>a) Robinho</p>
<p>b) Chacrinha</p>
<p>c) Ramiro</p>
<p>d) Bira</p>
<p>e) Immanuel KANT</p>
<p><center><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/asterix013.gif" alt="Obélix at Blog Filosofix" /><img src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/asterix010.gif" alt="Astérix at Blog Filosofix" /></center>&nbsp;</p>
<hr />
<p>Se você acertou todas, PARABÉNS! Não vamos publicar as respostas corretas, no entanto!</p>
<p>Mas, a esta altura, você pode estar pensando que quisemos fazer alguma piada, de mau gosto inclusive, ou algum tipo de brincadeira. Não é?</p>
<p>Não é!</p>
<p>Queremos, por outro lado, que observe o seguinte:</p>
<p>- Vivemos em uma sociedade que responde pela exceção, pelo desvio da regra geral, por aquilo que não sabe e diz o que pensa saber. A bem da verdade, o acumulo de informações aparentemente inúteis tem servido, em grande medida, para tomadas de decisões importantíssimas baseadas num não-saber, pelo puro instinto. Por impulso.</p>
<p>Vivemos numa sociedade de libido reprimida e, paradoxalmente, libertada pela regra da exceção. As pessoas, em sua grande maioria, optam pelo prazer do que não é. E divertem-se em dizer: eu sei a resposta, eu escolhi pelo &#8220;lógico&#8221;, pelo não-ser!</p>
<p>Algo assim:</p>
<p>- Pense bem no que vai fazer, Fulana (o)! <em>Pense</em>!</p>
<p>Pensar pelo não-ser&#8230;</p>
<p>Experimente encontrar alguém que diz lhe amar e pergunte-lhe:</p>
<p>- Você me ama?</p>
<p>E ela responderá:</p>
<p>- Sim, te amo porque sei que nunca amei antes&#8230; é um sentimento novo pra mim, que não conheço senão pela incerteza&#8230; então esteja VOCÊ certo que tudo pra mim, em mim, é muito mais por eles que por você!</p>
<p>Pela exceção!</p>
<p>postado por Ramiro Corrêa no Blog Filosofix (19/06/2010)</p>
<hr />
<p>postado por Ramiro (13/05/2011)</p>
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		<title>Bem-vindo (a) ao Blog Psicanálise Filosofix</title>
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		<pubDate>Sun, 01 May 2011 20:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ramiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem-vindo (a) ao mais novo Blog da série Filosofix: Psicanálise Clínica. Aqui você poderá ler artigos exclusivos sobre psicanálise e, sobretudo, propor seus próprios artigos. Nós gostaríamos que você se sentisse à vontade para publicar suas impressões e tornar este recanto um verdadeiro centro de pesquisas e difusão da Psicanálise. Além do mais, esperamos que este seja um ponto de referência para aqueles que estejam em franco processo de análise<a href="http://www.filosofix.com.br/psicanalise/?p=1">&#160;&#160;[ Ler Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo (a) ao mais novo Blog da série Filosofix: Psicanálise Clínica.</p>
<p>Aqui você poderá ler artigos exclusivos sobre psicanálise e, sobretudo, propor seus próprios artigos.</p>
<p>Nós gostaríamos que você se sentisse à vontade para publicar suas impressões e tornar este recanto um verdadeiro centro de pesquisas e difusão da Psicanálise.</p>
<p>Além do mais, esperamos que este seja um ponto de referência para aqueles que estejam em franco processo de análise pessoal conosco e queiram dar andamento aos processos sempre que julgarem necessário por esta via.</p>
<p>Sinta-se à vontade, portanto.</p>
<p>postado por Ramiro (01/05/2011)</p>
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